Para que serve a generalização cartográfica?

CARTOGRAFIA_ vitrine detalhePara o processo cartográfico, as transformações cognitivas mais importantes são a generalização e a simbolização. Essas transformações realizam uma adaptação da informação geográfica, selecionando, eliminando o que não é importante representar, classificando a informação e representando-a por uma simbologia apropriada.

Um mapa sempre representa um fenômeno em uma escala reduzida, diante de sua ocorrência no mundo real. A informação que o mapa contém pode sofrer perdas, truncamentos e até mesmo não ser representada por causa das restrições que são impostas pela escala de representação. Em função da impossibilidade de representação da realidade na escala 1:1, esse processo de adequação das informações em um documento cartográfico é conhecido como generalização cartográfica.

O processo de generalização é essencial tanto para a cartografia de base como para a cartografia temática, pois tem como objetivo principal a elaboração de mapas, cujas informações possuam clareza gráfica suficiente para o estabelecimento da comunicação cartográfica desejada, em outras palavras, a legibilidade do mapa. Assim, a representação exagerada de elementos, forçosamente irá prejudicar a clareza do documento.

A transformação de escala é a operação mais relevante para a imposição da generalização. Como toda operação de mapeamento implica em transformação de escala, fica também implícito o processo de generalização para todo e qualquer processo de mapeamento. Cada documento cartográfico, dentro dos limites de escala, necessita ter definido o próprio nível de detalhamento para atingir seus objetivos.

A generalização pode ser efetuada por meio de dois processos: manual e automático. O manual é inteiramente subjetivo e dependente do conhecimento cartográfico e geográfico do responsável pelo trabalho, enquanto o automático esbarra na especificação de tarefas e padrões de trabalho que tornam objetivas as subjetividades impostas pelo processo manual.

Um exemplo é o mapa antes e  após a generalização cartográfica da rede social de assistência social com atuação em Curitiba com sede na cidade.  Na comparação constata-se que muitas sobreposições de símbolos pontuais ocorreram no mapa da esquerda. Isto não ocorre no mapa da direita porque foi utilizado o operador deslocamento para a representação de todos os atores.

Imagem retirada do artigo “Generalização cartográfica aplicada à representação de redes sociais” de Renan Martins Pombo e Claudia Robbi Sluter.

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Referência bibliográfica

Este artigo foi baseado no livro Roteiro de Cartografia. A obra apresenta de forma clara e didática os principais conceitos clássicos e modernos da cartografia, sua relação com o geoprocessamento e os problemas e impactos causados com a integração de diferentes documentos cartográficos. O livro aborda, entre outros temas, as diversas transformações cartográficas (geométrica, projetiva e cognitiva), os sistemas geodésicos de referência, a cartografia digital e o geoprocessamento.

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