As ferramentas contra a escassez de água

Existem 6 opções gerais para equilibrar o balanço hídrico de uma região. Algumas envolvem aproveitar, armazenar e reduzir

(Imagem: Divulgação)

 

Veja abaixo cada uma das seis opções, na ordem geral do custo mais alto para o mais baixo:

  1. Dessalinização

Esse é um processo tecnológico que remove sais e outros minerais da água do mar ou da água salobra subterrânea. O modo tradicional é um processo de destilação em que se ferve a água salgada para separar, por evaporação, a água doce dos sais, mas recentemente a osmose reversa passou a ser o método preferido por ser menos cara.

Na osmose reversa, a água salgada é forçada a atravessar uma membrana semipermeável que permite a passagem de moléculas de água, mas não de sais e outros minerais. Tipicamente, cerca de metade da água salgada processada na dessalinização se torna água doce, e o que sobra é um resíduo concentradíssimo chamado de salmoura.

  1. Reúso da água

Também conhecido como reciclagem, o reúso da água envolve purificar a água depois de usada em residências, empresas ou indústrias e dar-lhe novo uso. No processo, as impurezas são removidas das águas servidas até um nível apropriado para o reúso pretendido.

O mais comum é aproveitar essa água em fazendas, campos e outras áreas ajardinadas; às vezes, ela é usada no resfriamento de usinas elétricas ou em outros processos industriais. Israel é o líder global desse processo e reusa cerca de 80% de toda a água que retira de fontes de água doce.

  1. Importação de água

Também chamada de transferência de água entre bacias, esse método pode provocar ou intensificar a escassez de água em outros aquíferos ou bacias hidrográficas.

Um exemplo: no início do século XX, Los Angeles tinha consumido inteiramente o rio de mesmo nome. Então a cidade construiu uma adutora de 500 km até o rio Owens, ao norte, e depois a ampliou até a bacia hidrográfica do lago Mono, esgotando essas fontes de água e prejudicando sua saúde ecológica.

Depois de exaurir essa oferta de água, a cidade estendeu seu canudinho até o rio Colorado, a uma boa distância a leste, e até os rios do Central Valley, ao norte, contribuindo para a escassez de água nessas bacias.

  1. Armazenamento de água

Construir represas na bacia hidrográfica para captar e armazenar água da vazão mais alta do inverno e da primavera para uso posterior no verão é uma solução, porém conta com algumas desvantagens. Uma delas é o custo. A construção de represas fica na faixa média do custo-benefício.

As represas e os reservatórios a elas associados podem causar imenso impacto ambiental e social. Elas são a principal causa do declínio de peixes e outras espécies fluviais no mundo inteiro por bloquearem seus movimentos e mudarem a vazão de água, nutrientes e sedimentos no ecossistema do rio.

  1. Gestão de bacias hidrográficas

Há muitas estratégias de gestão de bacias hidrográficas para influenciar a vazão e a qualidade da água, e várias têm excelente relação custo-benefício para disponibilizar mais água. A remoção de arbustos e árvores de raízes profundas que usam a água consuntivamente e sua substituição por gramíneas podem liberar água.

Muitas comunidades também estão restaurando o funcionamento natural de charcos e várzeas – por exemplo, com a remoção de diques para que os rios transbordem nas margens baixas durante a cheia – na tentativa de desacelerar a água das cheias e induzir maior recarga dos aquíferos.

  1. Conservação da água

Há duas maneiras de aplicar com eficácia a conservação de água. Em primeiro lugar, investir em medidas que reduzam a perda consuntiva de água na bacia hidrográfica ou aquífero, deixando, assim, mais água para os habitantes e a natureza. Caso a fonte seja um rio, é preciso avaliar quanta água é utilizada consuntivamente na bacia hidrográfica a montante do local, como na agricultura irrigada. Em segundo lugar, fazer o possível para reduzir a necessidade de retirar água das fontes de água doce.

Tudo a ver

Rico em exemplos baseados nas experiências pessoais e profissionais de RichterEm busca da água une conteúdo consistente e acurado a uma leitura cativante para gestores públicos, engenheiros sanitaristas, profissionais de recursos hídricos em empresas ou indústrias, pesquisadores, ativistas e membros de grupos comunitários de preservação da água.