A classificação dos desastres naturais

Uma comunidade atingida por um terremoto e outra atingida por inundações provavelmente terão planejamentos e ações, práticas e costumes diferentes para lidar com o evento que as atingiu

Em 2017, em Alagoas, as inundações destruíram a infraestrutura das cidades próximas ao Rio Mundaú. (Imagem: El País)

 

O conhecimento dos tipos de desastre e de sua classificação facilita a tomada de decisões específica e direcionada, assim como o encaminhamento rápido e eficiente de profissionais para atender a população em uma situação de desastre.

Para tanto, faz-se necessária uma melhor compreensão dos desastres naturais que afetam as populações, no intuito de serem propostas medidas efetivas para reduzir os danos materiais, humanos e ambientais.

Esse conhecimento pode ser obtido por meio da análise do histórico de ocorrências, que permite desenvolver estudos diretamente voltados aos períodos preferenciais, tempos de retorno, entre outros.

Em escala mundial, destaca-se o banco de dados desenvolvido pelo Centre for Research on the Epidemiology of Disasters (Cred, Centro de Pesquisa de Epidemiologia em Desastres), da Universidade de Louvain, conhecido como Emergency Events Database (EM-DAT), que organiza dados de desastres naturais e tecnológicos de países de todos os continentes.

Essa iniciativa é apoiada por diversas organizações internacionais, como a própria UNISDR. Por se tratar de uma sistematização em nível de país, se um furacão, por exemplo, atinge cinco países, esse dado será contabilizado para cada nação afetada. No entanto, no banco de dados a ocorrência será considerada apenas como um único furacão.

Para que um desastre seja considerado pelo EM-DAT, ao menos um dos seguintes critérios deve ser atendido:

  • dez ou mais pessoas mortas;
  • cem ou mais pessoas afetadas;
  • declaração do estado de emergência;
  • pedido de assistência internacional.

No Brasil, a iniciativa de organizar as ocorrências de desastres naturais foi da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), que publicou o Atlas brasileiro de desastres naturais (Ceped UFSC, 2012), o qual analisou os desastres naturais mais recorrentes no País no período de 1991 a 2010. Para o estabelecimento desse banco de dados foram utilizados documentos oficiais relacionados à decretação de situação de emergência ou estado de calamidade pública dos municípios brasileiros, tendo sido cada registro contado como uma ocorrência no banco de dados.

Nova proposta em 2011

A partir do ano de 2011, a Sedec iniciou a publicação do Anuário brasileiro de desastres naturais (Brasil, 2012a), com o uso de nova metodologia para a compilação dos dados, o que inviabilizou a comparação com os dados do atlas. De acordo com a nova proposta, as ocorrências em um mesmo município foram agrupadas conforme os critérios a seguir:

  • seca/estiagem: os registros foram agrupados em um período de seis meses;
  • inundações, enxurradas, alagamentos e chuvas intensas: os registros foram agrupados em um período de sete dias;
  • deslizamento: cada caso foi considerado isoladamente;
  • erosão: os registros foram agrupados em um período de cinco dias;
  • granizo e vendaval: os registros foram agrupados em um período de cinco dias;
  • incêndios florestais: os registros foram agrupados em um período de um dia.

Um ponto de grande controvérsia entre os especialistas são os parâmetros utilizados para mensurar a magnitude de um desastre natural, de modo a ser possível realizar comparações entre diferentes ocorrências.

Considerar números absolutos, como mortes e pessoas afetadas, mostra claramente uma situação, mas como dimensionar a economia local que foi atingida pelo desastre e que gerou desemprego, falta de moradia, violência, entre outras consequências sociais? O Quadro 1.2 apresenta algumas considerações a respeito do uso do indicador “número de mortos” para analisar a vulnerabilidade a desastres naturais.

Imagem retirada do livro Sensoriamento remoto para desastres (Ed. Oficina de Textos, 2015). Todos os direitos reservados.

Tudo a ver

Sensoriamento Remoto para desastres constitui-se em uma ferramenta sólida de gestão de desastres: inundações e enxurradas, secas e estiagens, incêndios florestais, deslizamentos de terra e derramamentos de óleo são objeto de estudo.

As aplicações de dados de sensoriamento remoto abrangem o monitoramento e a prevenção de desastres, bem como as fases de mitigação, preparação, resposta e recuperação.