A interação da arquitetura escolar com a pedagogia ao redor do mundo

No Brasil, a arquitetura escolar na época expressava o valor dado à educação, principalmente para a elite, com projetos em localização privilegiada e arquitetura imponente

Os impactos na educação das tecnologias de comunicação e TI em geral também demandam novos espaços e transformações da arquitetura escolar. (Imagem: 200degrees/Pixabay)

 

Embora existam exemplos anteriores até mesmo da Idade Média, o processo de organização do espaço da escola propriamente dito, considerando a relação do edifício com aspectos pedagógicos, surge a partir da necessidade das escolas primárias, que começaram a se organizar em classes sequenciais em meados do século XIX, também como resultado da industrialização.

Nesse período, pode-se dizer que haviam duas tendências principais: de um lado a escola era vista como disciplinadora, o que exigia espaços bem determinados e, de outro, o edifício começa a ser influenciado por teorias pedagógicas que valorizavam mais a criatividade e a individualidade.

As referências da área da pedagogia ainda mencionam pouco as necessidades espaciais das suas atividades. Após a primeira guerra mundial temos um movimento em todas as esferas de investir em causas sociais em melhorar a vida da população valorizando os investimentos públicos, a escola pública, a habitação social e a cidade como espaço público.

O modernismo na arquitetura nesta época repensou os seus conceitos e arquitetos do Bauhaus como Neutra e Gropius alteraram conceitos da arquitetura escolar, com espaços mais flexíveis, transparências entre interior e exterior com grandes janelas e salas de aula com acesso direto para terraços.

A literatura internacional recente sobre arquitetura escolar, vem enfatizando a relação espaço/pedagogia, destacando a necessidade de reflexão sobre a infraestrutura física escolar que apoia o ensino e a aprendizagem.

Esse ainda é um assunto que começa a ser foco de maior número de pesquisas, especialmente em função das novas tendências pedagógicas que apresentam atividades diferenciadas e que, portanto, exigem novas configurações espaciais. Os impactos na educação das tecnologias de comunicação e TI em geral também demandam novos espaços e transformações da arquitetura escolar.

E no Brasil esta preocupação surgiu muito depois?

No Brasil, o processo de organização do espaço escolar também surge a partir do século XIX, aparecendo referências sobre diretrizes que os diversos órgãos públicos apresentavam, buscando criar “padrões” de referência para essas construções das escolas públicas. A arquitetura escolar na época expressava o valor dado à educação, principalmente para a elite, com projetos em localização privilegiada e arquitetura imponente”, explica Doris Kowaltowski, autora do livro Arquitetura Escolar e professora da Unicamp.

Atualmente o tema vem sendo alvo de muitos debates, em função de vários fatores: Indicadores (índices) problemáticos de educação no país; avaliações (APO) de escolas que demonstram condições precárias de funcionamento dos prédios; ampliação das discussões de novas pedagogias; aumento de pesquisas em conforto ambiental, psicologia ambiental e multidisciplinares (por exemplo educação – arquitetura).

A própria concorrência entre grandes empresas na área de educação também influencia, indiretamente a arquitetura escolar, uma vez que as instalações físicas de suas unidades de ensino acabam se tornando apelos comerciais que as diferenciam uma das outras.

Tudo a ver

Em Arquitetura Escolar – O projeto do ambiente de ensino, a arquiteta e pesquisadora Doris K. Kowaltowski traz à tona o dissenso sobre a real interferência de diferentes áreas de conhecimento na educação e apresenta nesta obra uma relação fundamental entre aprendizado e arquitetura, defendendo que a qualidade do desempenho escolar é influenciada pelo edifício e suas instalações.