Água: bem da humanidade ou mercadoria?

De um lado, uma estratégia de apropriação desse recurso por grandes corporações. Do outro, encontram-se aqueles que defendem a necessidade de mantê-lo sob controle público e a serviço de todos

Para você: Bem da humanidade ou mercadoria? (Imagem: pixabay)

 

Ter saneamento básico é um fator essencial para um país poder ser chamado de país desenvolvido.

Os serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na saúde infantil com redução da mortalidade infantil, melhorias na educação, na expansão do turismo, na despoluição dos rios, preservação dos recursos hídricos, etc.

Atualmente, no Brasil, 90% desse serviço é controlado por companhias estatais e, apesar do “estatal” não representar necessariamente um controle público, mantém o objetivo de atender a população, sem visar o lucro.

No entanto, a mercantilização dos recursos hídricos é um assunto em voga. Existem diversas estratégias de apropriação desse recurso por grandes corporações em benefício próprio, o que vai de encontro aqueles que a enxergam como uma fonte fundamental à reprodução da vida e, por isso, defendem a necessidade de mantê-lo sob controle público e a serviço de todos.

Aproveitamos o tema e conversamos com José Galizia Tundisi e Takako Matsumura Tundisi sobre saneamento básico, privatização da água e resíduos líquidos. Confira abaixo:

CT: Quais as principais dificuldades para que todos tenham acesso ao saneamento básico?

JT: As principais dificuldades para o acesso ao saneamento básico estão relacionadas à lentidão para o estabelecimento da infraestrutura e à falta de investimentos continuados e consistentes para a infraestrutura.

CT: Como vocês veem o conceito atual de que a água é um bem mercantil, ou seja, um grande negócio para os que iriam lucrar caso ela seja cobrada de todos?

TMT: A água é um bem universal que deve ter acesso a todos. Como os governos não tem capacidade de investimentos para resolver todos os problemas de saneamento, a capacidade de investimento pode ser completada com a iniciativa privada, desde que os sistemas de regulação estejam muito bem consolidados e efetivos, para evitar ganhos excessivos e cobranças indevidas.

CT: Atualmente, mais de 80% dos resíduos líquidos não são coletados nem tratados. Como mudar este quadro?

JT: O tratamento de resíduos líquidos deve ser resultado de investimentos maciços entre iniciativa privada, governos estaduais, municipais e federais e uma mobilização completa da sociedade. Para mudar este quadro educação é fundamental. Isto inclui: público, políticos, governantes.

Tudo a ver

Confira em nosso lojão o livro Recursos Hídricos no Séc. XXI. Nele, os autores José Galizia Tundisi e Takako Matsumura Tundisi reúnem os mais recentes desenvolvimentos científicos e tecnológicos na área e apresenta a situação atual dos recursos hídricos no Brasil e no mundo.

O livro discute soluções e alternativas de gestão, com exemplos reais e inovadores de outros países e mostra que cada vez é mais importante integrar a gestão, estabelecer novas políticas públicas e programas de capacitação.