Arquitetura escolar: a preocupação com o ambiente de ensino

Com a ampliação da educação pública a necessidade de construir em larga escala escolas surge uma arquitetura mais racional e muitas vezes padronizada

No século XIX a arquitetura escolar se destaca pela imponência, com eixos simétricos, pé direito alto, grandes e altas esquadrias, escadarias que elevam o nível de entrada, detalhamento primoroso, incluindo grandes vitrais nas suas fachadas, entre outras características. São edifícios marcantes no espaço urbano, geralmente em localizações centrais e de importância nas cidades.

Entrar nesses edifícios permite uma experiência marcante e que denota a importância atribuída à educação, demonstrando harmonia entre o projeto arquitetônico, pedagógico e os valores culturais da época.

Escola Fundação Bradesco. (Imagem: Viva Decora)

 

Com a ampliação da educação pública a necessidade de construir em larga escala escolas surge uma arquitetura mais racional e muitas vezes padronizada. Atualmente, podemos dizer que embora a preocupação com a arquitetura escolar exista, ela ainda perde espaço para a necessidade de atendimento de vagas, ou seja, ainda a preocupação com a questão da quantidade aparenta ser mais forte do que o apelo qualitativo.

Não podemos deixar de considerar que lidamos com o problema da escassez de recursos financeiros públicos, o que implica na necessidade de fazer obras econômicas e robustas e que também otimizem as questões de manutenção. Em função disso, muitas vezes a padronização e a construção industrializada (pré-moldados) são adotadas“, conta Doris Kowaltowski, professora de Arquitetura da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp, no livro Arquitetura escolar.

Atualmente busca-se minimizar o uso dos projetos padrão, uma vez que estudos demonstram que esse tipo de construção pode criar problemas na implantação, aumentando o custo e prejudicando questões de acesso, funcionalidade e conforto. A FDE, órgão responsável pela construção e manutenção de mais de 5000 escolas públicas no estado de São Paulo, por exemplo, não adota um projeto padrão, mas contrata profissionais de qualidade para novos projetos escolares.

Pesquisas nessa área vêm crescendo

Além disso são gradativamente introduzidas melhorias como por exemplo a certificação ambiental para obras novas. Estas iniciativas demonstram um importante aumento de preocupação com a qualidade do ambiente físico escolar.

As pesquisas nessa área vêm crescendo, o que aponta para um interesse em aproximar mais a arquitetura à pedagogia para que os espaços propostos possam realmente serem adequados às atividades que se pretendem realizar no edifício escolar. As novas tendências também exigem novas pesquisas que indiquem as melhores alternativas em termos projetuais.

A necessidade de melhoria na educação como um todo, especialmente em razão dos baixos índices obtidos pelos alunos brasileiros, e a demonstração das pesquisas da relação desempenho/qualidade do ambiente construído são fatores que vem colaborar para o aprofundamento dessa área“, afirma a Profª Doris.

As discussões devem incluir todos os agentes que participam do ambiente escolar, ou seja, não apenas arquitetos, mas também pedagogos, professores e a comunidade escolar. Isso se justifica, principalmente em função de que a criação de um ambiente apropriado de ensino não depende apenas do projeto, mas também do seu uso. A participação ativa dos usuários potencializa o aproveitamento da infraestrutura e aponta as reais necessidades de cada projeto, tornando melhor investido os recursos disponibilizados.

Tudo a ver

Em Arquitetura escolar, disponível em nosso lojão, a arquiteta e pesquisadora Doris K. Kowaltowski traz à tona o dissenso sobre a real interferência de diferentes áreas de conhecimento na educação e apresenta nesta obra uma relação fundamental entre aprendizado e arquitetura, defendendo que a qualidade do desempenho escolar é influenciada pelo edifício e suas instalações.