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Avaliação Pós-Ocupação: Entrevista com as organizadoras

Rosaria Ono, Sheila W. Ornstein, Simone Villa e Ana Judite G. L. França sabem tudo de APO e falaram ao Comunitexto sobre o livro Avaliação pós-ocupação: na arquitetura, no urbanismo e no design – da teoria à prática

Comunitexto: Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Rosaria Ono: A Professora Sheila, uma das pioneiras na pesquisa em APO no Brasil já tinha outros livros publicados a partir da década de 1980, referências na área, porém já esgotados. A ideia veio da vontade de apresentar à comunidade técnica e científica, a evolução e a consolidação dos estudos da APO promovidos pela equipe de pesquisadores da FAUUSP nas últimas duas décadas. O desejo era demonstrar o quanto as pesquisas evoluíram nesta área e como enfrentamos os desafios atuais e futuros.

CT: Qual o grande destaque dessa obra?

Rosaria Ono: Este livro procurou abordar, de uma forma holística, as várias interfaces da APO, com o ensino na graduação e na pós-graduação, com a pesquisa acadêmica e com a prática profissional. Assim, o livro trata desde os conceitos básicos do método, discute as questões éticas em pesquisas envolvendo pessoas, dá dicas concretas de como aplicar uma APO (como coletar e tratar os dados coletados e como analisar e apresentar os resultados), apresenta exemplos reais de aplicação e discute programas de disciplinas para ensino de APO; tudo com base na experiência dos autores/organizadores.

Simone Villa: O livro apresenta de forma clara e objetiva todas as informações fundamentais para o desenvolvimento de APO no ambiente construído, incluindo o design. Foi escrito com foco em estudantes, docentes e profissionais da área que queiram conhecer um pouco mais sobre a APO e se utilizar de seus procedimentos metodológicos visando a melhoria da arquitetura, do urbanismo e do design.

Avaliação pós-ocupação: na arquitetura, no urbanismo e no design – da teoria à prática apresenta de forma clara e objetiva todas as informações fundamentais para o desenvolvimento de APO no ambiente construído, incluindo o design.(Imagem: Pixabay)

CT: Em 2013, vocês (Profa. Simone Villa e Profa. Sheila Ornstein) lançaram o livro Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação Pós-ocupação (Ed. Oficina de Textos), uma obra que já discutia a importância e necessidade da APO. Levando isso em consideração, por que Avaliação Pós-ocupação: teoria e prática é um livro relevante?

Sheila W. Ornstein: É um livro relevante porque, pela primeira vez se descreve em detalhes os procedimentos metodológicos voltados a aplicação da APO e se aborda exemplos práticos de experiências pedagógicas (ensino de graduação, pós-graduação etc) em estudos de casos que incluem a habitação (tal como no Qualidade Ambiental) mas também outros ambientes construídos e em uso de elevada complexidade, como estação metroviária, museu, hospital, indústria, escritório e outros.  Além disso, este livro coloca a APO, pela primeira vez, no contexto da norma de desempenho, a NBR 15575 (ABNT, 2013), além de oferecer conhecimentos e cuidados com a ética na pesquisa.

CT: O que mudou entre 2013 e 2018 com relação aos métodos de APO?

Sheila W. Ornstein: Na verdade, os métodos e técnicas em APO vêm sendo desenvolvidos e recebendo incrementos, desde o 1º livro publicado no Brasil, o “Avaliação Pós-Ocupação do Ambiente Construído” de Sheila Ornstein e Marcelo Roméro (Studio Nobel e EDUSP, 1992). Agora, não só o tratamento estatístico de dados na APO está mais detalhado e explícito, mas a APO também está claramente inserida no processo de gestão da qualidade do processo de projeto. Há ainda, atualmente, várias experiências sobre procedimentos para agilização da coleta de dados em campo e no seu processamento e visualização dos resultados para os tomadores de decisão. Exemplos destas experiências são tratados no novo livro.

CT: Atualmente, quem são os responsáveis por fazer a avaliação pós-ocupação?

Ana Judite: A APO tem natureza multidisciplinar. Por isso, a equipe responsável por sua aplicação deve ser definida em função da tipologia de uso do ambiente construído e dos aspectos a serem aferidos. Pode ser pertinente incluir na equipe, por exemplo, profissionais da área de psicologia, em casos de aplicação em ambientes cujos usuários são crianças pequenas, tais como creches e escolas ou especialistas em conforto ambiental, para casos nos quais são previstas medições das condições de temperatura, níveis de ruído e iluminação, por exemplo

Tudo a ver

Está disponível em nossa loja o lançamento Avaliação Pós-Ocupação na Arquitetura, no Urbanismo e no Design, um guia conceitual, teórico, metodológico e prático para a aplicação da Avaliação Pós-Ocupação (APO), com base em mais de três décadas de estudos e pesquisas teóricas e empíricas.