Avaliação pós-ocupação: indicadores de desempenho

Um indicador corresponde a uma determinada propriedade a ser mensurada e avaliada de modo a fornecer informações relevantes relaciona das a um certo aspecto

(Imagem: Michael Gaida/Pixabay)

A determinação de um sistema de indicadores deve possibilitar a avaliação mensurável, objetiva, rastreável e auditável das condições em um ambiente, inclusive permitindo uma análise do custo-benefício referente às ações a eles relacionadas (OECD, 1993; França, 2016).

Sistemas de indicadores podem ser consolidados com o objetivo de avaliar a qualidade e a produtividade das atividades de construção. Também podem ser destinados à análise de um determinado aspecto de interesse. Labaki et al. (2007), por exemplo, propõem indicadores de eficiência energética para escolas estaduais em Campinas por meio da análise, na fase de projeto, do desempenho de elementos construtivos no contexto do projeto, por simulação computacional.

Os indicadores estratégicos para cada caso dependerão da tipologia da edificação e dos objetivos da avaliação em curso. Por exemplo, considerando o desempenho esperado para o ambiente conforme o uso previsto, são pertinentes parâmetros como nível de iluminância no plano de trabalho, nível de conforto acústico, nível de conforto térmico (total de horas/ano na zona de temperatura operativa aceitável), nível de adequação ao uso previsto (total de não conformidades/total de ambientes com mesmo uso), taxa de renovação de ar densidade de potência luminosa.

Também se pode considerar a análise do desempenho da edificação como um todo, para efeito de comparação com outras edificações semelhantes. Nesse caso, são determinados indicadores globais pertinentes ao atendimento de metas e à elaboração de benchmarking, ou seja, que permitam estabelecer critérios objetivos para a comparação entre edificações com características semelhantes, entre as quais é possível citar a eficiência energética, o consumo de água eficiente e os custos de execução e de manutenção, a serem calculados para o período anual.

Cálculos manuais simplificados e simulações computacionais

Outra forma de avaliação do desempenho físico é por meio da elaboração de cálculos prescritivos ou simulações computacionais. Esses métodos possibilitam a realização de análises mais aprofundadas de situações presentes no local de estudo, bem como a predição dos riscos envolvidos, caso medidas adequadas não sejam tomadas (Fig. 4.4).

Exemplo de simulação computacional elaborada para aprofundar a avaliação de um aspecto crítico -no caso, a eficiência de elemento de proteção solar. (Imagem retirada do livro Avaliação pós-ocupação: na arquitetura, no urbanismo e no design – da teoria à prática. Todos os direitos reservados).

Além disso, os cálculos manuais e as simulações computacionais também permitem a análise de possíveis soluções para problemas existentes ou a análise de condições ambientais sazonais, porém não mensuráveis à época da avaliação, a fim de serem propostas ações corretivas e preventivas.

Para tanto, recomenda-se que sejam conduzidas, previamente, a leitura e a análise dos projetos, com o objetivo de compreender as condições locais e seus efeitos na implantação, de modo a identificar possíveis situações críticas merecedoras de aferição e que, eventualmente, justifiquem a realização de simulações computacionais ou de cálculos manuais simplificados.

Tudo a ver

Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática leva ao leitor amplo conhecimento conceitual e prático para a aplicação da APO em ambientes construídos e objetos no decorrer de seu uso, de modo a aferir seu desempenho físico, à luz da percepção dos seus usuários.