Recursos hídricos e meio ambiente

Aves do Brasil: do tucano ao livro sobre avifauna

Conversamos com os autores Julio Andrade e Viviane Rodrigues Reis sobre o lançamento Aves do Brasil – Vol.1, livro que apresenta 100 espécies de aves, com fichas de catalogação e mapas de ocorrência no Brasil

Foi em 2014, enquanto realizavam uma expedição para efetuar um plantio de mudas em São Sebastião, que o ex-integrante do Greenpeace Julio e a bióloga Viviane avistaram um tucano e naquele momento ele teve uma ideia: criar um projeto voltado exclusivamente para as aves.

Assim nasceu o Projeto Aves, uma iniciativa para a conservação de espécies e habitats, que abriu caminho para o livro Aves do Brasil, que traz quarenta e três famílias representadas, entre as espécies em destaque urutau (Nyctibius griseus), caneleiro-de-chapéu-preto (Pachyramphus validus), talha-mar (Rynchops niger), tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis), beija-flor-de-garganta-verde (Amazilia fimbriata).

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Contracapa do livro Aves do Brasil – Volume 1

Batemos um papo com Julio e Viviane e aproveitamos para conhecer um pouco mais sobre o trabalho genuíno que realizam em prol da avifauna. A conversa foi muito produtiva e rendeu muita coisa, por esse motivo, dividimos em duas partes. A seguir você confere a primeira parte da entrevista.

Comunitexto: Conte um pouco sobre como teve início o Projeto Aves?

Julio Andrade: O Projeto Aves foi criado em 2014, como uma iniciativa para a conservação de espécies e habitats. Foi estruturado a partir do setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, o Projeto Darwin. A partir de 2015, passou a ter patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A organização sempre focou em atividades florestais e sentíamos a necessidade de integrar a fauna em nossas ações e como o símbolo da ONG é uma ave, nada mais natural que escolhêssemos essa classe de animais.

Viviane Rodrigues: Tornei-me bióloga em 2013 e sempre quis trabalhar com aves, pois elas sempre me despertaram grande interesse. Em 2014 comecei a trabalhar na Pick-upau com a questão florestal que também é uma área que gosto bastante, sobretudo com ecologia, unindo as duas áreas. Em 2014 realizamos uma expedição para efetuar um plantio de mudas em São Sebastião e avistamos um tucano e neste momento o Julio teve a ideia de criar um projeto voltado exclusivamente para as aves, pois a própria organização tem o nome de uma ave, e isso me deixou bastante animada.

CT: Foi desse projeto que surgiu a ideia para o Aves do Brasil?

Julio Andrade: Exatamente. Com o desenvolver do projeto percebemos a quantidade e qualidade do material produzido ao longo das expedições. Como já tínhamos um grande acervo da literatura sobre aves em nossa biblioteca, identificamos que naquele mercado editorial poderia se encaixar a série do Aves do Brasil, assim idealizamos o primeiro volume, recém lançado.

Viviane Rodrigues: Sim, ao longo do projeto investimos na aquisição de livros sobre o tema, pois gostamos muito de livros, eu particularmente tenho muitos livros técnicos e como geramos muito conteúdo fotográfico de qualidade tivemos a ideia de fazer nossos próprios livros sobre aves.

CT: Como foi o processo de pesquisa e seleção das aves que fariam parte desta obra?   

Julio Andrade: Nós registramos até o momento cerca de 280 espécies. Nesse primeiro volume optamos por diversificar as famílias, mas criar uma introdução às espécies, ou seja, escolhemos algumas que fazem parte da base dessas comunidades, intercalando com espécies menos avistadas pelo público em geral. Diversificando as espécies que estão representadas por 43 famílias.

Viviane Rodrigues: No início do projeto percorremos muitas áreas, principalmente bordas de matas, estradas e ambientes aquáticos como manguezais, rios e lagos, neste sentido conseguimos registrar muitas espécies que ocorrem em áreas mais abertas e que se deslocam entre habitats distintos e assim num próximo momento investirmos mais em espécies florestais e mais restritas.

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CT: Qual a relação de vocês com as comunidades da avifauna?

Julio Andrade: Para a organização a relação é muito intima, afinal o pica-pau é o nosso símbolo e o nosso próprio nome, ainda que a grafia seja diferente. É tudo muito interligado. Mas entre os ativistas e pesquisadoras a relação vai se alterando entre o interesse científico, paixão e fascinação. Hoje a aves são parte indissolúvel do trabalho da Pick-upau e na vida de nossos (as) profissionais.

Viviane Rodrigues: Desde a época em que cursei biologia tinha interesse em desenvolver algum trabalho com as aves, como o trabalho de conclusão de curso, por exemplo, porém na época não tinha conhecimentos sobre as espécies e sobre técnicas de identificação, apesar de ter conhecimentos sobre anatomia, fisiologia e etologia que é o estudo do comportamento animal e a partir do projeto adquiri conhecimentos sobre identificação das espécies e suas vocalizações que é um fator imprescindível para a correta identificação de diversas aves.

Caneleiro-de-chapéu-preto (Pachyramphus validus) (Divulgação/Pick-upau)

CT: Neste primeiro volume somos apresentados a 100 espécies com duzentas fotografias. Quais deles vocês destacariam, seja por sua beleza ou raridade?

Julio Andrade: Legal sua pergunta, porque beleza tornou-se algo bem peculiar quando nos referimos às aves. Os urubus-de-cabeça-preta, por exemplo, são aves extraordinárias e adoramos observá-los, ainda que a maioria os despreze, por isso buscar uma imagem diferente de aves mais comuns pode ser uma maneira eficaz de apresentá-los. Como fotógrafo gosto muito dos gaviões e falcões, mas os pica-paus de fato são meus favoritos.

Viviane Rodrigues: Eu sou suspeita, pois gosto de todas e vejo características singulares em todas elas, mas uma espécie que é bastante diferente é o urutau ou mãe-da-lua. Esta espécie é noturna e durante o dia ela permanece imóvel e camuflada em troncos, porém consegue ver com seus “olhos mágicos”, que são pequenas elevações em suas pálpebras. Seu filhote tem o mesmo comportamento de permanecer imóvel, mas é mais fácil de ser visto, pois sua plumagem é branca.

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Matéria publicada em 18.02.2020


Tudo a ver

Realizado a partir do monitoramento em dez municípios distribuídos pelo litoral norte de São Paulo, Serra da Mantiqueira, além da capital paulista, Aves do Brasil – Vol. 1 é mais uma ação socioambiental do Projeto Aves: Mata Atlântica, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

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