Bate-papo com Geraldo Magela sobre o livro Projeto de usinas hidrelétricas

Após mais de 40 anos trabalhando com hidrelétricas, o engenheiro Geraldo Magela Pereira resolveu explicar esse empreendimento complexo de maneira simples e prática: Projeto de usinas hidrelétricas, lançado pela editora Oficina de Textos, é um manual que detalha, passo a passo, todo o desenvolvimento de uma usina – desde o projeto até sua interligação à rede de transmissão. Descubra um pouco mais sobre esta obra no jogo rápido de hoje.

Comunitexto: Qual é a importância deste livro?

Geraldo Magela Pereira: Nós não temos nenhum outro livro em português com essa abordagem prática; ele é um roteiro para simplificar a vida dos jovens engenheiros e eu o recomendo a todo engenheiro que queira trabalhar no setor elétrico.

Quando eu me formei, há mais de 40 anos, era difícil encontrar livros em português, as obras eram geralmente estrangeiras e muito caras, e eu, recém-formado, sabia pouco. Passei muitas noites sem dormir por causa disso. Aí me viciei em comprar livros, compro-os até hoje, e quanto mais livros eu compro, mais eu descubro que não sei nada! Ou que sei muito pouco! Então você imagina um engenheiro recém-formado, que quer entrar num setor tão complexo como esse, de energia. Um livro acessível, didático, pode ajudar muito.

CT: O livro é voltado para os estudantes de Engenharia Civil, de Engenharia Elétrica ou é transversal a essas áreas?

Projeto-de-usinas-hidreletricas-passo-a-passoGMP: O projeto de uma usina hidrelétrica é 60%, 65% Engenharia Civil. Os outros 35% são Engenharia Elétrica ou Mecânica. Por que isso? Porque para gerar energia elétrica, você precisa saber a quantidade de água e a queda. Queda é Topografia, e quantidade de água é Hidrologia.

A queda é fácil de medir, basta ter um topógrafo competente, mas para saber o volume de água disponível num rio você precisa ter uma equipe de Hidrologia muito boa, com muita experiência. É uma atividade não muito fácil; até porquê há muitas variações quando chove muito, ou quando chove pouco… Sabendo a quantidade de água e a queda, já sabemos o quanto podemos gerar de energia. Aí entra engenheiro mecânico na escolha da turbina, e a turbina influencia a escolha do gerador, e por aí vai.

CT: Então o livro tem mais ênfase nessa área, a Engenharia Civil?

GMP: Tem um capítulo de Engenharia Mecânica e tem um capítulo de Engenharia Elétrica, mas o grande peso é Engenharia Civil. Trata também da Engenharia Ambiental: desde 1985, há 30 anos, a preocupação com o meio ambiente ganhou relevância. O setor elétrico sempre cuidou muito bem do meio ambiente.

É claro que fazer uma hidrelétrica inunda uma área e tem impactos ambientais, mas é melhor do que produzir energia a partir de combustíveis fósseis, que é mais caro e mais poluente.

O livro interessa à Engenharia Politécnica; aos profissionais que não gostam de ficar parados. Não é só para o estudante de Engenharia Civil, ou o estudante de Engenharia Mecânica, Elétrica. É para quem tem interesse em geração de energia.

Tudo a ver

Elaborada como um manual passo a passo, a obra conta com inúmeros exemplos retirados de projetos de hidrelétricas brasileiras. Há também um capítulo sobre os principais acidentes com barragens no Brasil e no mundo, que discute os riscos, as formas de prevenção e a gestão do patrimônio.

Para saber mais, consulte a página do livro no site da Oficina de Textos.