Causas antropogênicas das mudanças climáticas

Matéria publicada em 22.01.2020

A seguir como o homem contribui para as mudanças no clima

De acordo com o IPCC (2007, 2013), as atividades humanas contribuem para as mudanças climáticas por meio de alterações na composição química da atmosfera, isto é, por meio do aumento de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, da injeção de aerossóis e da criação de fatores que propiciam a nebulosidade.

A maior contribuição para as mudanças climáticas vem dos GEE. Como já abordado nos Caps. 2 e 10, os GEE absorvem a radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre e a reemitem para a superfície. Esses gases podem ser comparados a um cobertor, pois não deixam a energia escapar.

Quanto maior a quantidade de GEE na atmosfera, mais energia tende a ser absorvida por eles e reemitida para a superfície, o que implica um aumento das temperaturas do planeta. Vale a pena lembrar que o efeito estufa é um efeito natural e benéfico.

No entanto, a introdução de mais GEE na atmosfera pelas emissões antropogênicas contribui para o aumento de sua concentração e, portanto, favorece a elevação da temperatura média global. Existem diversas formas de introduzir GEE na atmosfera, tanto naturalmente quanto antropicamente, como mostra a Fig. 1.

Algumas das formas antropogênicas são listadas por Oliveira, Silva e Henriques (2009):

  • queima de combustíveis fósseis por veículos, indústria, construção civil e uso residencial;
  • atividades ligadas à utilização da terra e às suas mudanças, entre elas, o desmatamento, a agropecuária e as queimadas;
  • produção de metano, advindo do setor de energia, da agropecuária e de resíduos sólidos urbanos;
  • produção de óxido nitroso, advindo do manejo agrícola;
  • utilização de F-gases – hidrofluorcarbonos, perfluorcarbonos e hexafluoreto de enxofre – nos processos industriais (observe-se que os F-gases, tais como o gás de refrigeração, não existem originalmente na natureza, sendo gerados unicamente por atividades humanas);
  • processos industriais, como a produção de cimento e de produtos químicos, envolvem reações que liberam dióxido de carbono, além de emitir outros GEE.
Fig. 1: Esquema ilustrativo da introdução dos GEE na atmosfera Fonte: adaptado de IPCC (2007). (Imagem retirada do livro Meteorologia: noções básicas. Todos os direitos reservados à Oficina de Textos.)

Enquanto isso a Fig. 2 mostra a evolução temporal global da concentração dos GEE dióxido de carbono, metano e óxido nitroso nos últimos 2.000 anos. É evidente o grande aumento da concentração desses gases a partir de 1750, o qual está associado às atividades humanas da era industrial, conforme relatos do IPCC (2007, 2013).

Fig. 2: Evolução temporal global da concentração dos GEE nos últimos 2.000 anos. As unidades das concentrações são partes por milhão (ppm) ou partes por bilhão (ppb), indicando o número de moléculas de GEE por milhão ou bilhão de moléculas de ar, respectivamente, numa amostra da atmosfera. Fonte: adaptado de IPCC (2007). (Imagem retirada do livro Meteorologia: noções básicas. Todos os direitos reservados à Oficina de Textos.)

Tudo a ver

Meteorologia: noções básicas aborda temas como radiação solar, temperatura, umidade do ar, estabilidade e pressão atmosférica, ventos, observação da atmosfera, padrão global dos ventos, modelos conceituais, poluição atmosférica e classificação climática, tudo numa linguagem direta e clara, amplamente ilustrado e com exemplos específicos de tempo e clima no Brasil.