Como funciona o orçamento nas empresas?

Matéria publicada em 15.10.2019

Segundo o Eng. Aldo Dórea Mattos, aos poucos vem se desfazendo a desprezível máxima de que, “quando uma obra dá dinheiro, o mérito é do engenheiro de produção, mas, quando se perde dinheiro, é porque o orçamentista errou”

Em grandes organizações, existem setores dedicados exclusivamente a preparar orçamentos para concorrências. Informações de obras anteriores são utilizadas como subsídio para novas composições de custos, que são elaboradas com programas específicos de computador.

Em empresas menores, em geral o próprio construtor faz a estimativa, muitas vezes sem grandes detalhes, baseando-se tão somente na experiência adquirida pela execução repetida de serviços similares. O que claramente se nota é que, quanto maior o conhecimento prático de quem orça, maior a probabilidade de o orçamento estar apurado e menor a chance de frustrações futuras ocorrerem na obra.

Para o Eng. Aldo Dórea Mattos “o ideal é que haja um espírito de corpo e que as equipes de escritório e de campo interajam”. (Imagem: Divulgação)

A atividade de orçamentação não é exclusiva das empresas de construção. Também escritórios de arquitetura estimam o custo de execução de seus projetos, as empresas projetistas e os consultores orçam seus serviços técnicos, as fábricas calculam o custo final de seus produtos, os subempreiteiros estimam o custo de suas empreitadas e o governo faz orçamentos dos projetos e obras a executar (antes de licitá-los).

Nas construtoras, é comum se observarem algumas distorções. Há empresas que participam de um número excessivamente grande de concorrências, cujas datas de entrega da proposta são muito próximas, e com isso o setor de orçamento fica abarrotado.

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Orçamento e orçamentação

Utilidades da orçamentação

Os profissionais ficam sem tempo de analisar o projeto mais detidamente, propor mais de uma solução técnica e fazer simulações. Eles então se transformam em meros “preenchedores de planilha de preços”. Já foi visto empresas participarem de licitações públicas sem terem sequer aberto o pacote de plantas – o orçamentista apenas atentou para os requisitos formais requeridos pelo órgão licitante e a data de entrega dos envelopes, preenchendo, em seguida, a planilha com preços ditos históricos.

Mais de uma vez já ocorreu de o construtor arbitrar “por sentimento” (é o tal feeling) os preços dos serviços e, depois de assinado o contrato da obra, dar-se conta de que a estrutura de concreto tinha pé-direito alto (exigindo muito mais escoramento) ou de que o local era de difícil acesso etc.

Outra distorção está na experiência dos orçamentistas. Em várias empresas, o setor de orçamento é o destino natural dos engenheiros e técnicos recém-formados. Os mais antigos e experientes estão sempre na produção, ou seja, no campo, e inconscientemente acabam desprezando o trabalho dos orçamentistas por considerarem-no destituído de natureza prática.

Assim, escritório e campo passam a ser compartimentos estanques: o orçamentista não conhece a prática e não tem retroalimentação por parte dos engenheiros de produção; estes, por sua vez, não acreditam no que foi orçado e nem sequer abrem os relatórios e planilhas para obter referências de produtividades, equipes e custos. Cria-se, então, um círculo vicioso.

Assim, o ideal é que haja um espírito de corpo e que as equipes de escritório e de campo interajam. O orçamentista precisa visitar as obras e receber do pessoal de campo as produtividades reais, os percentuais de perda dos principais insumos e comentários acerca dos parâmetros de orçamento.

Uma prática que tem se revelado frutífera em algumas empresas é designar o responsável pela obra ainda na fase de licitação, a fim de que ele participe da orçamentação e não considere o orçamento final uma mera caixa-preta. Assim, aos poucos vai se desfazendo a desprezível máxima de que, “quando uma obra dá dinheiro, o mérito é do engenheiro de produção, mas, quando se perde dinheiro, é porque o orçamentista errou”.


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