fbpx

Desenvolvimento dos geossintéticos no Brasil

O emprego de geossintéticos no Brasil remonta ao início dos anos 1970, e mais aceleradamente a partir da década de 1990

(Imagem: Arquivo pessoal do autor Ennio M. Palmeira)

 

Os geotêxteis foram provavelmente os primeiros tipos de geossintético a serem utilizados em obras geotécnicas no país, há cerca de 40 anos, principalmente em aplicações ligadas a drenagem e filtração.

Pouca ou nenhuma informação está disponível na literatura técnica sobre essas obras pioneiras, com exceção de relatos superficiais de profissionais envolvidos nelas. Nessa fase pioneira, a participação de profissionais ligados às empresas fabricantes de geossintéticos foi de fundamental importância para o início da consolidação dos geossintéticos como materiais de construção no país.

Geotêxteis nos anos 70

Nos anos 1970, os geotêxteis eram do conhecimento de um limitado número de profissionais geotécnicos no país. A falta de informações (até em nível mundial) sobre tais produtos, associada a uma certa relutância em aceitar plásticos como materiais de qualidade pela comunidade técnica, comprometia a confiabilidade desses materiais como componentes de obras geotécnicas.

Não raro os fabricantes desses materiais não dispunham de dados e informações técnicas relevantes sobre seus produtos para a engenharia nem de pessoal especialmente qualificado para um perfeito diálogo com projetistas e executores de obras.

A falta de informação técnica sobre o assunto e os produtos e a falta de resultados de pesquisas sobre a utilização de geossintéticos sob condições típicas nacionais foram certamente algumas das principais causas do atraso na aceitação desses materiais no Brasil, em comparação ao ocorrido em outros países.

Sob esse aspecto, a situação atual é totalmente diferente. No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, o interesse por esses materiais e sua utilização começaram a acelerar no Brasil, envolvendo não só aplicações em drenagem e filtração, mas também como reforço de solos.

Ao final da década de 1970, o Instituto de Pesquisas Rodoviárias do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (IPR/DNER) iniciou a construção de aterros experimentais instrumentados sobre solos moles na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Parte dessa pesquisa envolveu o estudo de geotêxteis como elementos de reforço de aterros sobre solos moles, com a construção de uma estrada não pavimentada reforçada (Palmeira, 1981) e de aterros sobre colchão de geotêxtil e sobre geocompostos para drenagem vertical (drenos pré-fabricados).

Geotêxteis nos anos 80

A Fig. 1.28 sintetiza alguns marcos na evolução dos geossintéticos no Brasil e no exterior. Pode-se observar que a maior parte dos fatos relevantes no país ocorreu após 1980. Passos importantes para a disseminação desses materiais no país foram a criação da Comissão de Geossintéticos da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), no início dos anos 1980, e a realização do primeiro evento nacional sobre geossintéticos.

(Imagem retirada do livro Geossintéticos em Geotecnia e Meio Ambiente, Ed. Oficina de Textos. Todos os direitos reservados)

 

A criação da IGS-Brasil

Outro marco importante foi a criação da seção brasileira da International Geosynthetics Society (IGS), IGS-Brasil, em 1996. Desde então, a IGS-Brasil e a Comissão de Geossintéticos da ABMS vêm fomentando a disseminação do conhecimento sobre geossintéticos por meio de eventos científicos, cursos, palestras, simpósios, boletins informativos etc., com expressivo apoio de fabricantes de geossintéticos.

Nesse contexto, foi importante também a criação da Comissão de Normalização de Geossintéticos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por muitos anos sob a coordenação da Profa. Delma Vidal, envolvendo vários estudiosos no assunto, para a elaboração de normas brasileiras sobre geossintéticos.

No plano mundial, atualmente existe um grande número de eventos técnicos e científicos sobre geossintéticos, muitos deles organizados sob os auspícios ou pela IGS. A cada quatro anos são realizados eventos regionais na Europa, na Ásia e na América, além de eventos nacionais em um grande número de países.

No Brasil, já foram realizadas sete conferências nacionais e inúmeros eventos regionais e locais. Tal nível de atividades evidencia a pujança dos geossintéticos no cenário técnico-científico mundial.

Tudo a ver

Geossintéticos em Geotecnia e Meio Ambiente reúne os 40 anos de experiência do autor no tema para tratar das aplicações dos geossintéticos por meio de uma sólida base teórica e diversos exemplos práticos.

Uma referência atualizada e completa sobre o tema, que traz exemplos práticos, ilustrações, requisitos para instalação, dimensionamento, avaliação de desempenho e exemplos de cálculos.