Dia zero: a Cidade do Cabo sem água

Governo da região chegou, inclusive, a colocar no ar site para acompanhar a situação das represas

Cidade do Cabo e ao fundo a Table Mountain. Cartão postal da região já sente a falta de turistas por conta da crise. (Foto: pixabay)

 

Parece cenário de filme pós-apocalíptico. Uma cidade com quase 4 milhões de habitantes e a possibilidade real do dia em que nem mais uma gota de água potável irá escorrer pelas torneiras. A Cidade do Cabo, na África do Sul, sobretudo um local de maravilhas como a Table Mountain, destino nº1 na lista de muitos turistas, agora também pode ficar famosa por ser a primeira grande cidade do mundo a ficar sem água.

A situação é séria, tanto que e o governo criou até um site (http://coct.co/water-dashboard/), para monitorar o que ficou conhecido como Dia zero. A previsão é atualizada levando em conta o consumo atual da população e a expectativa de chuva.

Inicialmente era esperado que em Abril os africanos não vissem mais água, porém, a pouca chuva que caiu no fim de fevereiro junto às medidas emergenciais tomadas pela população e o governo prometem adiar o desespero para o próximo ano, isso se as chuvas de inverno, esperadas para julho, aparecerem.

Tragédia anunciada

A crise foi causada por três anos de chuvas muito baixas, somada ao aumento do consumo de uma população em crescimento constante. A Cidade do Cabo está agora em seu terceiro ano de seca severa.

No entanto, para muitos moradores, a ideia de Dia Zero tornou-se real em 18 de janeiro, quando o prefeito anunciou: “Chegamos a um ponto sem retorno“.

Até então, a cidade esperava que ações voluntárias para conservar a água evitassem uma crise até que as chuvas de inverno começassem e novos poços e estações de tratamento de água entrassem em linha. 

Mas os reservatórios da Cidade do Cabo drenaram mais rápido do que o previsto: famílias e empresas não conservavam a água tanto quanto o governo esperava durante o atual verão seco.

A falta de água no mundo. (Foto: Diário de Notícias, Lisboa)

O que está sendo feito

Atualmente o governo local está correndo para enfrentar a situação. Além de pôr em prática um racionamento de emergência, com a restrição de 50 litros diários por pessoa, o que acabou por ter um impacto positivo, têm investido em:

  • plantas de dessalinização para tornar a água do mar potável;
  • projetos de coleta de água subterrâneas;
  • e programas de reciclagem de água.

Embora o Dia Zero continue a ser uma possibilidade, mesmo que adiado para 2019, as autoridades esperam que as chuvas do inverno, a partir de junho, ajudem a resolver de vez o problema para este ano, com o recarregamento, pelo menos em parte, das represas que abastecem a cidade. 

Não há dúvida de que a crise atual forçou uma mudança nos padrões de consumo da água, e agora é difícil imaginar voltar aos dias em que todos eram muito irresponsáveis no uso do recurso mais precioso do mundo. Sem água, não pode haver vida.

Tudo a ver

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