Geografia e meteorologia

Diferenciação e representação de paisagens

A seguir, são descritas ferramentas metodológicas para a representação das paisagens, bem como critérios para a determinação de limites naturais com base em dados temáticos

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Paisagem natural – Chapada do Jalapão. (Foto: Roberto Palmer/ Infoescola)

Um excelente procedimento inicial para a distinção de paisagens é a determinação de limites naturais com base na interpretação de dados temáticos. Para isso, é preciso dispor de um conjunto de dados temáticos diversos (geologia, clima, solos, drenagem, altitude, vegetação etc.).

Esse procedimento é mais adequado para áreas da ordem da dezena de quilômetros quadrados ou maiores, pois é mais fácil encontrar dados temáticos em escalas pequenas e médias. O cientista da paisagem e cartógrafo russo e soviético Anatoliy Grigorievich Isachenko (1922-2018) destacava os seguintes tipos de limite natural:

  • grandes escarpamentos e/ou desníveis topográficos acentuados com ou sem variação no litotipo;
  • transição climática;
  • transição climática derivada de grande desnível no relevo;
  • mudança significativa no litotipo (bacia sedimentar, rocha muito básica ou muito ácida ou com muito fraturamento etc.);
  • mudanças suaves fracamente manifestadas em virtude de variações na altitude, nas condições de drenagem e na natureza litológica e estrutural de depósitos quaternários.

Como se pode perceber, algumas dessas diferenças podem ser identificadas com o auxílio de imagens de radar; contudo, outras são mais facilmente visualizadas a partir de uma boa base de dados temáticos, preferencialmente cartas geológicas, da rede de drenagem, de solos e de climas e elementos climáticos (precipitação, temperatura etc.).

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Para o Parque Nacional do Catimbau (PE), foram identificados limites de transição climática (semiárido a subúmido), desnível topográfico (escarpamento, mudança de relevo) e contraste litológico (bacia sedimentar e embasamento cristalino). Com base nesses limites, foram reconhecidas 13 paisagens distintas (figura abaixo).

Fig: Contrastes (A) topográficos, (B) litológicos e (C) climáticos e (D) paisagens nas proximidades do Parque Nacional do Catimbau (PE). Em (A), os limites topográficos são representados pelas linhas tracejadas. Em (B), os limites litológicos são dados por: 1 – cristalino; 2 – transição cristalino–sedimentar; 3 – arenito paleozoico e coberturas arenosas; e 4 – arenito e siltito mesozoicos. Em (C), os limites climáticos são dados por: A – quente semiárido mediano a forte; B – quente semiárido brando. Em (D), as linhas tracejadas representam o limite político-administrativo do parque, enquanto as paisagens são representadas por: a – pedimentos sobre o cristalino; b – serra do Juá; c – serra de São Henrique; d – transição entre pedimentos e glacis na borda da bacia do Jatobá; e – colinas baixas arenosas; f – colinas baixas do Frutuoso; g – vale do Frutuoso; h – serra do Macaco; i – vale do Pioré; j – vale do Catimbau; k – glacis da borda leste da bacia do Jatobá; l – patamares estruturais da borda leste da bacia do Jatobá; e m – serra do Catimbau.

Matéria publicada em 18.02.2020


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