Recursos hídricos e meio ambiente

Conheça os principais ecossistemas brasileiros

O Brasil é um País com dimensões continentais, muito vasto em território, e possui diversos contrastes no que diz respeito ao clima, à geomorfologia e aos solos. Cada uma das porções físico-climáticas que compõem as cinco regiões são mais ou menos favoráveis a determinados grupos de animais e plantas, e estes se tornam responsáveis por caracterizar as paisagens e definir os ecossistemas brasileiros. 

Nosso território é composto por seis biomas que apresentam características bastante distintas entre si, e mesmo dentro de um único ecossistema é possível observar diferenças entre as espécies que o habitam. Estas formam o que chamamos de mosaicos de tipos vegetacionais, que são o que tornam os ecossistemas brasileiros tão diversos e nosso País tão múltiplo. 

Neste artigo, apresentaremos as características dos principais ecossistemas brasileiros. Confira!

Mapa do Brasil com a indicação dos ecossistemas brasileiros de acordo com a região.
Imagem presente no livro Ciências do ambiente, publicado pela Oficina de Textos. Todos os direitos reservados.

Principais ecossistemas brasileiros

O Brasil conta com seis ecossistemas diferentes, composto por espécies animais e vegetais variadas. A diversidade e os contrastes presentes em cada região são o que tornam nosso País único. 

Os principais ecossistemas brasileiros são a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, o Pantanal, a Mata Atlântica e os Pampas. A seguir, detalharemos cada um desses biomas. 

Amazônia

A maior floresta tropical do mundo está presente em nosso País! Distribuindo-se entre Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, uma grande porção da Floresta Amazônica se localiza no Norte do Brasil, com uma grande diversidade de plantas e animais, além de abrigar comunidades de povos originários brasileiros

A bacia amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo, detendo, aproximadamente, 20% de toda a água doce disponível. Com clima quente e úmido, o bioma Amazônia ocupa 49% do território nacional. A temperatura anual média chega a 26 °C, e a pluviosidade é de 2.300 mm, podendo chegar, em alguns locais, a 3.500 mm. 

No que diz respeito à vegetação, esta se divide em mata de terra firme em porções mais elevadas do território, mata de várzea (inundada em parte do ano) e igapó, quase sempre inundada. 

Rio Amazonas margeado por vegetação característica.
A Amazônia é um dos mais importantes ecossistemas brasileiros. Foto: Nathalia Segato/Unsplash

O maior problema que a Amazônia enfrenta são os constantes desmatamentos, que revelam solos pobres, somente capazes de manter a fertilidade mediante constante ciclagem de nutrientes, promovida pela própria floresta. Isso faz com que, devido ao seu solo arenoso, a manutenção da floresta nativa seja fundamental. 

Sem ignorar a importância dos demais ecossistemas brasileiros, a existência e a manutenção do bioma Amazônia são fundamentais para o ciclo hidrológico, tendo efeitos essenciais em todas as regiões do Brasil e também em países vizinhos: as florestas, por meio da transpiração, fornecem o vapor de água necessário para manter o regime de chuvas no Norte, Sudeste e Centro-Oeste do País. 

Caatinga

A vegetação desse ecossistema é genuína e unicamente brasileira. Localizada na região Nordeste, a Caatinga ocupa 11% do território nacional. O clima do bioma é o semiárido, com temperatura média anual variando entre 25 e 30 °C e pluviosidade entre 300 e 800 mm por ano. 

O solo, de modo geral, não favorece a agricultura ou a retenção de água por ser predominantemente raso e pedregoso. No entanto, em algumas localidades é possível encontrar porções de solo profundo e fértil, mescla que proporciona diversidade de paisagens. 

Imagem de região montanhosa cercada por vegetação típica da caatinga.
A vegetação da Caatinga é unicamente brasileira. Foto: Jaime Dantas/Unsplash

A vegetação  deste bioma é composta por plantas arbustivas, de caules finos, tortuosos e emaranhados. Também com grande biodiversidade, mais de 1.200 espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. A Caatinga, no entanto, contém 62% de suas áreas suscetíveis à desertificação, o que representa um enorme risco às espécies animais e vegetais. Além disso, é crescente o desmatamento na região, já tendo chegado a 46% de sua região territorial. 

Cerrado

Outro importante bioma entre os ecossistemas brasileiros, o Cerrado cobre cerca de 22% do território nacional, na porção interior do País, onde o clima é quente, com períodos bastante delimitados entre chuva e seca. Com a umidade relativa do ar baixa, 80% do volume total de chuvas se concentram entre os meses de outubro e abril. A temperatura média anual da região varia entre 20 e 26 °C. 

Vegetação rasteira típica do Cerrado em área coberta por água.
O Cerrado contém as nascentes das bacias hidrográficas Amazônica/Tocantins, São Francisco e Rio da Prata. Foto: Rogean James Caleffi

Os solos são profundos, porosos e muito ácidos, contendo alumínio, elemento tóxico às plantas e, portanto, pouco fértil. Esse ecossistema possui um grande potencial hidrológico por conter as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul – Amazônica/Tocantins, São Francisco e Rio da Prata. 

Já a vegetação se assemelha em muitas características às das savanas africanas e da Austrália, com pequenas árvores baixas e retorcidas, que possuem folhas grossas e raízes profundas. Por ser um ecossistema muito vasto em território, o Cerrado possui outros tipos de vegetação, como as gramíneas e árvores altas, além de regiões com características florestais. 

Gráfico mostrando a altura das plantas que compõem a vegetação do Cerrado.
Imagem presente no livro Ciências do ambiente, publicado pela Oficina de Textos. Todos os direitos reservados.

No que diz respeito à diversidade de espécies, o Cerrado é considerado a savana mais rica do mundo, com alto grau de endemismo (espécies exclusivas de determinada região). No entanto, devido à urbanização e à agricultura e pecuária, estas estão sob ameaça de perda de habitat. 

Mata Atlântica

Ocupando 15% do território brasileiro, a Mata Atlântica é, ao mesmo tempo, um dos ecossistemas mais diversos em espécies animais e vegetais do mundo e um dos mais ameaçados. Abrigando 145 milhões de pessoas em toda a área que abrange, esse ecossistema provê a estas serviços ecossistêmicos essenciais, com clima predominantemente tropical úmido, extensos períodos de chuva e temperaturas elevadas. 

Os solos desse bioma são ácidos e rasos, fator que dados os altos índices de chuva, costumam acarretar processos erosivos e deslizamentos, sobretudo em regiões habitadas, como se vê com frequência nas áreas costeiras. 

As formações vegetais nesse ecossistema são bastante variadas, caracterizadas por Florestas Ombrófilas e Estacionais, além de ecossistemas específicos, como campos de altitude, manguezais e restingas. O bioma Mata Atlântica compreende cerca de 20 mil espécies de plantas, sendo algumas delas existentes somente nessa região

Vegetação característica do bioma da Mata Atlântica cobrindo região montanhosa. Céu azul com nuvens ao fundo.
A Mata Atlântica é um dos maiores ecossistemas brasileiros, cobrindo quase toda a área costeira do leste do país. Foto: Franco Antônio Giovanella/Unsplash

Apesar da riqueza e importância de um dos maiores ecossistemas brasileiros, infelizmente, desde os tempos da colonização portuguesa no País, a devastação na Mata Atlântica segue a passos largos. Atualmente, apenas 15% da cobertura original da região prevalecem, distribuídos em paisagens esparsas. 

Pampas

Também conhecidos como Campos Sulinos, os Pampas se localizam na região sul do Brasil. Com o clima quente temperado e úmido, onde predomina o relevo plano, o ecossistema ocupa somente 2% do território do País. 

Nessa região, as quatro estações do ano são bastante definidas, com temperaturas médias anuais variando entre 13 e 17 °C e chuvas entre 1.200 a 1.600 mm. A vegetação dos Pampas é caracterizada pelos campos limpos, com grande presença de herbáceas, e os campos sujos, compostos por arbustos em meio a tapetes de herbáceas. 

Campo verde com poucas elevações, algumas áreas cobertas por água, árvores e, ao fundo, região montanhosa.
Os Pampas são um ecossistema muito diverso em espécies. Foto: Fernando Barcellos/Wikicommons

Os Pampas possuem grande diversidade de espécies, sendo três mil de plantas, 500 aves e cem de mamíferos. Assim como em outros ecossistemas brasileiros, esse bioma tem sofrido as consequências da progressiva introdução das atividades urbanas, bem como a pecuária extensiva, que prioriza o uso de espécies exóticas de capim para alimentação dos animais em detrimento das nativas. 

Pantanal

Esse bioma compreende menos de 2% do território brasileiro, sendo considerado o menor do país. No entanto, é uma das maiores planícies alagadas do mundo! Localizado na região Centro-Oeste, o clima do Pantanal é predominantemente tropical estacional. As temperaturas médias anuais atingem 25 °C, podendo chegar a 40 °C, e a pluviosidade varia entre 1.000 e 1.500 mm anuais. 

A vegetação do Pantanal é diversa, composta por cerradões, florestas, cerrados e brejos, mas, predominantemente, vegetação rasteira. Nas porções que permanecem inundadas durante a maior parte do ano, são observadas espécies aquáticas, sendo os peixes, assim como as aves, os principais representantes da biodiversidade local (263 e 463 espécies, respectivamente). 

Troncos retorcidos com dois tucanos pousados.
463 espécies de aves brasileiras habitam o Pantanal. Foto: Desert Morocco Adventure/Unsplash

Além dessas, outras espécies que fazem parte do bioma Pantanal são 41 anfíbios, 113 répteis, 132 mamíferos e duas mil espécies de plantas. Atualmente, a principal ameaça a esse ecossistema é a atividade agropecuária. 

Obra que trata dos ecossistemas brasileiros chega à Ofitexto em setembro

Com previsão de lançamento para o início de setembro, Ciências do ambiente trata de aspectos fundamentais desse campo de estudos, como a educação ambiental, a ecologia, água, esgoto, drenagem urbana, resíduos sólidos e poluentes atmosféricos. 

O livro aborda, em cada um dos sete capítulos, detalhes sobre cada um desses tópicos fundamentais das ciências ambientais, com o propósito de contribuir com a aprendizagem do estudante e do profissional já formado que pretende atuar junto à gestão ambiental, com a melhor utilização dos recursos naturais. 

A obra é amplamente ilustrada e conta com texto didático desenvolvido pela autora, Regina Pacca Costa, que possui vasta experiência na área de recursos hídricos e meio ambiente. 

Capa de Ciências do ambiente
Capa de Ciências do ambiente, publicado pela Oficina de Textos. Todos os direitos reservados.

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