Efeitos Danosos da detonação com explosivos: Ultralançamento

Esse termo é usualmente empregado para expressar a inesperada projeção de fragmentos de rocha a grandes distâncias

Implosão de pedreira causa deslocamento de ar em Nova Olímpia, MT. (Imagem: Divulgação)

 

Também chamados de pombos-correio, nada mais é do que o lançamento que atinge em geral 5 a 10 vezes a distância do lançamento normal e, ocasionalmente, muito mais. Ocorre apenas em pequenas porcentagens e seu alcance não pode ser estimado como no caso do lançamento normal.

O ultralançamento não aumenta necessariamente com o acréscimo da carga. Suas causas são bem distintas das que provocam um maior lançamento normal.

A principal delas é devida ao fato de os gases encontrarem fendas através da rocha e por elas passarem a altas velocidades, numa forma concentrada e unidirecional, arrastando consigo pequenos fragmentos que são atirados a longas distâncias.

A falta de cuidado durante qualquer uma das fases do trabalho de desmonte, tais como dimensionamento da malha, perfuração, carregamento, escolha dos retardos e ligação, pode criar situações de ultralançamento.

Acidentes fatais

Análises de 11 anos de acidentes nos Estados Unidos (1971-1981) ocorridos em mineração a céu aberto revelam que aconteceram 233 acidentes no desmonte, entre acidentes fatais, não fatais e incidentes. Desse montante, 11 foram acidentes fatais.

O ultralançamento representou 22% de todos os acidentes em desmonte e 18% dos acidentes fatais. De todos os fenômenos ligados ao desmonte e que agem nocivamente em relação ao meio ambiente, ele é o responsável pelo maior número de acidentes fatais.

Mudanças no plano de fogo, na perfuração e/ou no carregamento não devem ser colocadas em prática sem um estudo detalhado dos possíveis efeitos adversos de tal projeto. É importante lembrar que o ultralançamento geralmente pode ser acompanhado de impacto de ar. Todavia, o aumento da razão de carregamento não provoca, por si só, o ultralançamento.

Mapeamento necessário

Para o estudo particular de determinada operação, é extremamente útil mapear o ultralançamento em relação à área de detonação, levando-se em conta o peso dos fragmentos ultralançados. Na técnica convencional de desmonte de rochas, como concebida originalmente por Langefors (1963) e outros, é comum o espetáculo visual de ultralançamento de fragmentos.

Com o advento das perfuratrizes de grande diâmetro e de explosivos bombeados, ou seja, vertidos diretamente nos furos, principalmente em minerações, tornou-se comum o ultralançamento de pequenos fragmentos.

Há ainda o relato de muitos casos de lançamento de grandes fragmentos a grandes distâncias, causando severos acidentes, inclusive fatais. Tal prática certamente não é a forma mais adequada de executar a cominuição (fragmentação) da rocha, pois muita energia é desperdiçada e se provocam grandes danos ao meio ambiente e às instalações.

Tudo a ver

Com 50 anos de engenharia, o Prof. Nieble agracia a comunidade técnica e as novas gerações com Desmontes cuidadosos com explosivos: aspectos de engenharia e ambientais, a primeira obra em português a tratar do tema.

Voltado a profissionais que se dedicam ao desmonte de rochas e estudantes de Engenharia Civil e de Minas e Geologia, a obra apresenta casos reais e especiais de desmontes e as melhores práticas para garantir a segurança da obra, das pessoas e do entorno.