Efeitos dos edifícios sobre o microclima urbano

Os edifícios podem ser tratados de diversas maneiras como parte da estratégia de climatização urbana no tratamento da interface entre espaço público e privado

Edifícios influenciam o clima urbano substituindo solo exposto, solo gramado e árvores por asfalto, concreto e vidro; trocando volumes arredondados e resilientes ocupados pela vegetação por superfícies rígidas e angulosas características dos edifícios; emitindo calor gerado pelos sistemas de ar-condicionado e por processos industriais; e conduzindo a água da chuva para os sistemas de drenagem, diminuindo drasticamente a infiltração no solo.

Por outro lado, os edifícios também podem ser tratados de diversas maneiras como parte da estratégia de climatização urbana no tratamento da interface entre espaço público e privado no nível da rua, bem como no projeto do edifício como um todo.

Podem ainda ser exploradas a incidência da radiação solar na forma e no projeto de fachadas ou o aproveitamento dos ventos para resfriamento noturno da massa construída do edifício.

“Além das vantagens evidentes para a redução do consumo de energia do edifício propriamente dito, isso tudo resulta em menor carga térmica acumulada e em menos calor reirradiado para a cidade no período noturno, contribuindo para a mitigação da ilha de calor”, explica a arquiteta Joana Carla Soares Gonçalves, autora do livro Edifício Ambiental.

 

Em áreas comerciais, de lazer ou onde mais se quiser incentivar o uso de espaços públicos, e atrair as pessoas para os espaços ao ar livre, a proteção ao sol e à chuva para os pedestres é um dos requisitos mais importantes. O recuo do andar térreo coma permissão de se avançar coma projeção de um ou dois andares sobre a calçada pode compensar economicamente o proprietário e incentivar o uso desse elemento no projeto.

Materiais orgânicos

Os edifícios podem ser projetados não somente com concentrações de material inorgânico. Eles precisam ser balanceados com elementos naturais, não só para a melhoria das condições do seu microclima imediato, mas para a produção de ar limpo e filtragem de poluentes, com aspersão de água nas fachadas afim de promover evaporação e resfriamento das superfícies e da camada de ar mais próxima.

A incorporação de materiais orgânicos e biodegradáveis nos espaços de transição nas fachadas, suaviza o impacto dos edifícios na cidade e criando espaços semiconfinados mesmo em edifícios altos.

Esses espaços permitem a abertura das janelas para um ar mais limpo e um ambiente menos ruidoso, além das vantagens estéticas e de maiores possibilidades de escolha para o usuário, como o simples fato de poder abrir as janelas, por exemplo.

Com o desenho de átrios ventilados, a ideia é que as possibilidades de ventilação e iluminação natural recriem nos edifícios altos as possibilidades externas existentes no nível da rua. Com essa concepção, as fachadas mudam com a orientação e têm diferentes possibilidades de operação em função das condições ambientais locais.

Tudo a ver

Edifício Ambiental aborda o desempenho, a qualidade e o impacto ambiental das edificações, explorando tópicos como ventilação natural, tecnologias de climatização e seleção de materiais; os impactos no clima das cidades provocado pelo ambiente construído e pelo adensamento urbano; ferramentas e métodos de simulação do desempenho ambiental; projetos e tecnologias aplicados em edifícios existentes; habitações sustentáveis para populações de baixa renda e o sistema de certificação ambiental de edifícios.