Geofísica aplicada: Entrevista com o Prof. Antônio Braga

Autor do livro “Geofísica Aplicada: métodos geoelétricos em hidrogeologia” fala a equipe do Comunitexto sobre problemas hidrogeológicos, geofísica em águas subterrâneas e muito mais

Segundo Antonio Braga, “a Geofísica tem sido aplicada em nosso país de maneira muito boa, principalmente em áreas específicas, tais como: Petróleo e Prospecção Mineral”.(Foto: Brasil CT&I)

 

Comunitexto: Quais são os problemas hidrogeológicos que a geofísica aplicada pode ajudar a resolver?

Prof. Antônio Braga: A Geofísica Aplicada investiga o meio geológico, obtendo um “raio x” das diferentes formações geológicas em subsuperfície, de maneira rápida e a custos relativamente baixos. Dessa maneira pode identificar aquíferos promissores bem como avaliar seu grau de proteção frente a contaminantes. Os resultados obtidos auxiliam o hidrogeólogo a tomar decisões, principalmente em áreas de geologia heterogênea e de rochas cristalinas.

CT: Quais são os principais métodos usados no estudo geofísico de águas subterrâneas?

Prof. Antônio Braga: Sem dúvida, o mais utilizado e que apresenta resultados mais confiáveis, é o método da eletrorresistividade, desenvolvido a partir da técnica de investigação da sondagem elétrica vertical – arranjo Schlumberger. Outros métodos tais como o radar de penetração no solo – GPR, podem ser utilizados em áreas de rochas cristalinas, com o inconveniente de atingir pequenas profundidades de investigação.

CT: Se comparado aos Estados Unidos, Europa e Extremo Oriente, como está a aplicação da geofísica no Brasil?

Prof. Antônio Braga: A Geofísica tem sido aplicada em nosso país de maneira muito boa, principalmente em áreas específicas, tais como: Petróleo e Prospecção Mineral. Existe um campo excelente de sua aplicação, com substancial aumento de projetos, em estudos ambientais, envolvendo a contaminação de solos, rochas e águas subterrâneas. Entretanto, quando comparado a esses locais referidos, estamos bem atrasados. Os custos dos equipamentos em nosso país são elevados e muitas vezes proibitivos, onde as taxas de importação oneram demais.

CT: Em qual região do Brasil encontra-se mais dificuldade para analisar águas subterrâneas? Por que?

Prof. Antônio Braga: São as regiões de afloramento das rochas ígneas (cristalinas). Essas regiões são difíceis de investigar a ocorrência de aquíferos e com consequente imprecisão na locação de poços tubulares. A ocorrência de águas subterrâneas nesses tipos de rocha se dá em fraturas na rocha. Nesse campo, a Geofísica auxilia o hidrogeológicos com extremo sucesso. Outras regiões problemáticas envolvem as áreas urbanas, onde os ruídos elétricos e construções/infraestruturas dificultam a obtenção de dados com boa qualidade.

CT: Atualmente, qual a situação dos aquíferos brasileiros com relação a contaminação?

Prof. Antônio Braga: Nada promissor. Em áreas urbanas a contaminação do lençol freático (aquífero livre) ocorre de maneira progressiva e sistemática, através de: vazamentos da rede de esgoto, fossas sépticas, etc. Em áreas rurais, os agrotóxicos e pesticidas contaminam de maneira grave e regular. Em áreas industriais, a contaminação ocorre devido a inúmeras fontes.

Um exemplo típico ocorre no Sistema Aquífero Guarani, na região do município de São José do Rio Preto/SP, onde esse aquífero, ocorrendo a aproximadamente 800 metros de profundidade, apresenta contaminação por coliformes fecais, oriundos das fossas sépticas e vazamentos das redes de esgotos da superfície e adentrados aos poços tubulares devido às péssimas condições de preservação/construção desses poços.

Tudo a ver

O livro Geofísica Aplicada: métodos geoelétricos em hidrogeologia aponta ferramentas para a detecção de águas subterrâneas e também de contaminantes utilizando técnicas de sondagem elétrica e caminhamento elétrico.

Unindo o conhecimento teórico a questões extremamente práticas, o livro apresenta arranjos de campo e fornece orientações para a coleta e a interpretação de dados, além de discutir as soluções aplicadas em casos históricos.