Geossintéticos: Histórico e evolução

Aplicação de Geotêxtil em conjunto com Geocélulas. (Foto: NTC Brasil)

 

A utilização de inclusões visando reforçar um solo, embora possa parecer uma técnica recente, na verdade remonta à Antiguidade. Exemplos disso são as muralhas de ziggurat de Agar Quf, na Mesopotânia, construídas em 1.400 a.C. com a utilização de mantas feitas de raízes como elementos de reforço.

A Fig. 1.25 esquematiza como eram construídas tais estruturas, algumas com até cerca de 90 m de altura, com partes delas ainda existentes nos dias de hoje. Citações bíblicas reportam aplicações semelhantes, e trechos da Muralha da China também foram construídos utilizando-se a técnica de reforço de solos.

Imagem retirada do livro Geossintéticos em Geotecnia e Meio Ambiente (Ed. Oficina de Textos). Todos os direitos reservados.

 

Os incas construíram estradas para o acesso a templos empregando misturas de solo a lã de vicunha (animal parente das lhamas), que também resistem ao tempo.  Na década de 1960, o engenheiro Henri Vidal fez reviver a técnica de reforço de solos por inclusões por meio da utilização de tiras metálicas em aterros, solução conhecida como terra armada. O emprego de elementos sintéticos de reforço oriundos da indústria petroquímica é mais recente.

Os precursores em tal utilização foram provavelmente os holandeses e os americanos, na década de 1950. O início da década de 1970 trouxe uma aceleração no uso desses materiais. Só nessa década, na América do Norte, a utilização de geotêxteis cresceu de 2 para 90 milhões de metros quadrados.

A Fig. 1.26 apresenta a evolução no consumo de diferentes tipos de geossintético na América do Norte a partir do final da década de 1970 até meados da década de 1990. Pode-se observar que uma sensível aceleração na utilização de geotêxteis se dá nos anos 1970.

Imagem retirada do livro Geossintéticos em Geotecnia e Meio Ambiente (Ed. Oficina de Textos). Todos os direitos reservados.

 

Já outros tipos de geossintético, mais ligados às aplicações de proteção ambiental, têm seus usos incrementados no início dos anos 1980, particularmente em decorrência de maior rigor e mudanças em legislações ambientais de países desenvolvidos. Apesar desse crescimento em utilização, nos anos 1980 o emprego desses materiais em engenharia civil representava apenas cerca de 1% do mercado de fibras industriais e cerca de apenas 0,25% do mercado mundial de materiais têxteis.

A Fig. 1.27 apresenta a distribuição de tipos de aplicação de geotêxteis na América do Norte. Pode-se observar a percentagem considerável de aplicações ligadas à proteção do meio ambiente e a obras rodoviárias.

Imagem retirada do livro Geossintéticos em Geotecnia e Meio Ambiente (Ed. Oficina de Textos). Todos os direitos reservados.

 

No Brasil, o emprego de geossintéticos, embora acelerado nas últimas duas décadas, ainda pode ser considerado tímido em comparação ao de países desenvolvidos, e até inferior ao de países com economias ou extensões territoriais menores. As principais razões para o contínuo crescimento de sua utilização em obras geotécnicas e de proteção ambiental são:

  • contínuo aprimoramento e melhoria da qualidade dos geossintéticos para uso em obras de engenharia;
  • redução de custos dos geossintéticos;
  • redução do tempo de execução de obras;
  • melhoria das metodologias de projeto, resultados de pesquisas e observações de casos históricos com geossintéticos;
  • facilidade de transporte para regiões remotas ou com escassez de materiais naturais;
  • custo competitivo quando comparado ao de soluções tradicionais de engenharia;
  • maior rigidez e controle de utilização de materiais naturais tradicionais em virtude de imposições de ordem ambiental;
  • o uso de geossintéticos pode resultar em soluções de engenharia sustentáveis e com menores impactos ao meio ambiente.

Como é comum para novos materiais e técnicas construtivas, a utilização de geossintéticos em obras civis cresceu a uma velocidade muito superior à do desenvolvimento de pesquisas no assunto. Assim, a maioria das obras iniciais em que tais materiais foram usados certamente foi projetada de forma muito conservadora à luz do conhecimento atual. Nos dias de hoje se observam projetos cada vez mais arrojados e impensáveis há alguns anos.

Tudo a ver

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