Gestão ambiental para cidades sustentáveis: Entrevista com os organizadores

Andre Cristina de O. Struchel (SVMDS da Prefeitura Municipal de Campinas-SP) e Rogério Menezes (presidente da Anamma) comentam sobre as características dessa obra essencial

No Brasil, as cidades hoje não são 100% sustentáveis. A sustentabilidade é um objetivo enquanto referencial no horizonte, a ser perseguido. (Imagem: weg.net)

Abrangente e atual. Gestão Ambiental para cidades sustentáveis, lançado este mês pela Oficina de Textos, traz diversas experiências reais e dados técnicos, sendo uma valiosa referência para gestores públicos. Conversamos os organizadores Andréa Struchel e Rogério Menezes para entender os objetivos do livro e seus destaques. Confira!

Comunitexto: O que os motivou a escrever o livro?

Organizadores: As cidades são os habitats dos seres humanos, sendo que o processo de migração das pessoas das áreas rurais para as urbanas é crescente no Brasil e no mundo. Dessa forma, salientamos o significativo aumento populacional das urbes brasileiras.

Diante desse panorama desafiador, a motivação de organizar o livro, é envidar esforços para construir de forma técnica, acadêmica e, sobretudo, com viés da práxis de gestão municipal, direcionar o desenvolvimento da cidade sob a premissa da sustentabilidade ambiental.

CT: Qual(s) o(s) destaques da obra?

Organizadores: Os capítulos permeiam temas de necessário manuseio na gestão das cidades, ao trazer conteúdos técnicos e experiências sobre vários instrumentos de gestão ambiental em nível local, bem como ao focar em áreas temáticas (água, verde e fauna) em que se materializam tanto a condução das políticas públicas específicas, assim como a gestão propriamente dita, para garantir a proteção desses importantes recursos ambientais tanto para a sobrevivência do ser humano, quanto para a sua qualidade de vida.

Também abordamos formas de manuseio de instrumentos de gestão ambiental no contexto interno, externo e metropolitano, a fim de conferir eficiência e eficácia a gestão territorial e sua dinâmica econômica, para promover interação e sinergias em prol da sustentabilidade.

CT: Por que consideram um material indispensável?

Organizadores: As cidades, no mundo, se converteram em protagonistas na busca pela sustentabilidade; ou seja, se inseriram em uma agenda de governança ambiental em que o desenvolvimento visa satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas necessidades. Nesse sentido, o capítulo 7 da Agenda 21 faz referência ao planejamento rural e urbano e recomenda avaliar as atividades humanas, o uso da terra e a ordenação desejada dos espaços dentro dos preceitos de sustentabilidade a partir das dimensões econômica, social, ambiental, política e cultural.

A noção de dimensões, para pensar estratégias de sustentabilidade, é importante para explicitar que o conceito de desenvolvimento ou a noção de progresso não devem ter apenas significado econômico. Na concepção de Sachs (1993; 2002), o conceito de sustentabilidade integra as dimensões ecológica, econômica, social, espacial, cultural, política nacional e política internacional. E com vistas à agenda de 2030, os oito capítulos deste livro visam dialogar com os comandos globais, atualmente retratados nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), na 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), realizada em Paris, em dezembro de 2015

CT: Quais as principais características e práticas adotadas pelas cidades sustentáveis?

Organizadores: Para além de fortalecer a formação de política e concretizá-las por meio da gestão, a práxis da gestão por metas e indicadores reforça o princípio da eficiência da gestão. Aliado a isso, a visão transfronteiriça para além dos territórios municipais, abarcando regiões metropolitana, aglomerações urbanas e município conturbados trazem à tona soluções para desafios de problemas em comuns. Fortalecer instrumentos, potencializar ações transversais é um passo indispensável nesse caminho.

CT: Existem casos de cidades sustentáveis no Brasil?

Organizadores: As cidades hoje não são 100% sustentáveis. A sustentabilidade é um objetivo enquanto referencial no horizonte, a ser perseguido. O Capítulo 1 do livro aborda formas de aferição de sustentabilidade das cidades, conforme parâmetros previamente estabelecidos. Então, a depender do programa e aferição de indicadores, pontuações e abordagens, têm-se resultados diversos. Dessa forma, os repórteres a entes públicos e entidades do terceiro setor e indicadores de gestão, elegendo os dois estratégicos instrumentos orientadores para se conferir transparência e eficiência às ações governamentais transversais, como é a voltada ao meio ambiente em todas as suas formas, estimula e afere as cidades que se propõem a serem ranqueadas dentro das sistemáticas pré-estabelecidas.


Tudo a ver

Frente a desafios urbanos crescentes, como poluição, impactos climáticos e demanda por serviços e infraestrutura, Gestão ambiental para cidades sustentáveis relata estratégias e soluções locais bem-sucedidas de gestão pública municipal e amplia ao tratar do desenvolvimento econômico-social aliado à proteção do meio ambiente.