Hidrologia e balanço hídrico nas florestas

Matéria publicada em 08.01.2020

A vegetação florestal nos trópicos funciona como um duto para o movimento da água dos solos para a atmosfera.

A ciclagem de água dos solos florestais de volta para a atmosfera é interrompida após desmatamentos. Quando as florestas são derrubadas, as taxas de fluxo de água dos rios crescem significativamente e com frequência causam alagamentos e erosã.o (Foto: Rhama)

A transpiração das florestas tem implicações importantes para o clima regional. De 25% a 56% da precipitação na bacia amazônica é proveniente da “reciclagem” da água evaporada dentro da bacia.

A ciclagem de água dos solos florestais de volta para a atmosfera é interrompida após desmatamentos. Quando as florestas são derrubadas, as taxas de fluxo de água dos rios crescem significativamente e com frequência causam alagamentos e erosão. A remoção de mais do que 33% da cobertura florestal provoca aumentos significativos nas taxas anuais de fluxo dos rios durante os três anos seguintes.

A regeneração das florestas pode restaurar rapidamente muitas funções hidrológicas. As taxas de evapotranspiração em uma floresta em regeneração de 2,5 anos no Pará, no leste da Amazônia, foram similares às de florestas maduras na mesma região. O balanço hídrico de uma floresta em regeneração de 3,5 anos em Bragantina, na Amazônia Oriental, não foi diferente do de uma floresta madura crescendo sob condições climáticas e edáficas similares.

As taxas de evapotranspiração de florestas de 15 a 18 anos no Pará, no Brasil, foram virtualmente idênticas às de florestas maduras próximas durante um período de estudo de quatro anos.

Sistemas radiculares profundos de árvores de florestas em regeneração ou de florestas maduras captaram água de profundidades de pelo menos 8 m. Árvores resistentes à seca são mais abundantes em florestas maduras, levando a taxas mais altas de abscisão foliar em florestas em regeneração jovens durante a estação seca e também a uma maior inflamabilidade.

Nas florestas tropicais, a chuva não é interceptada

Ela penetra diretamente até o solo em forma de precipitação interna, flui pelos galhos e troncos, ou é interceptada pelo dossel, pelo solo do dossel ou por emaranhados de epífitas. Em muitas florestas tropicais maduras, de 80% a 95% da precipitação incidente infiltra-se no solo.

Desse total, aproximadamente 1.000 mm por ano são liberados para a atmosfera por meio da transpiração e o restante escoa para os rios. Mesmo após 40 anos, florestas tropicais montanas em regeneração na Costa Rica apresentaram taxas de interceptação da precipitação mais baixas em comparação a florestas maduras.

O escoamento pelos troncos correspondeu a até 17% da precipitação incidente, em comparação a apenas 2% em florestas maduras. Essas diferenças foram determinadas principalmente pelas diferenças na densidade de fustes e na estrutura do dossel. Devido ao lento estabelecimento de epífitas vasculares e não vasculares, devem ser necessários mais de cem anos para que o peso e as funções hidrológicas do emaranhado de epífitas alcancem os valores de florestas maduras.

A condutividade hidráulica do solo saturado (Ks) determina a taxa com que a água se movimenta através da matriz do solo em condições de saturação. Quando Ks é baixa, a percolação vertical de água é impedida durante eventos chuvosos de grande intensidade, levando a escoamento superficial.

Vários estudos descobriram valores de Ks mais baixos em solos de pastagens em comparação a solos florestais em regiões tropicais. A recuperação da Ks após o abandono da pastagem levou 15 anos na região das terras baixas da Amazônia (12,5 cm de profundidade) e 12 anos na parte central do Panamá (0-6 cm de profundidade).


Tudo a ver

Renascimento de florestas é uma obra essencial para o manejo e a restauração de florestas e para compreender os impactos de fatores geográficos e socioeconômicos no desmatamento e na regeneração florestal.