Litoestratigrafia e bioestratigrafia: O que são?

A litoestratigrafia é o estudo de unidades/sequências sedimentares, de sua organização e do registro do tempo a partir dos dados litológicos

Litoestratigrafia
(Imagem: Divulgação/pixabay)

Essa abordagem estratigráfica baseia-se numa descrição analítica desde o terreno ao laboratório e envolve vários campos disciplinares (petrografia, mineralogia, geoquímica, sedimentologia, paleontologia).

Ela permite o reconhecimento das unidades litoestratigráficas definidas por suas fácies e forma dos conjuntos litológicos homogêneos e hierarquizados segundo diferentes escalas: do af loramento à extensão regional em três dimensões.

A evolução gradual dos elementos constituintes de uma rocha e do conjunto das características litológicas, mineralógicas, geoquímicas, paleontológicas e de suas estruturas primárias e diagenéticas caracterizam uma sequência de fácies.

A litoestratigrafia corresponde à sucessão de diferentes fácies, o que permite definir o meio sedimentar e os mecanismos de deposição. Assim, a identificação das sequências de fácies baseia-se na análise das relações entre as unidades sedimentares e na compreensão dos fatores que controlam sua evolução no espaço tridimensional.

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Os limites dessas sequências caracterizam-se pelas descontinuidades, que mostram a mudança brutal de determinada característica no registro sedimentar ou de uma mudança cronoestratigráfica significativa. A integração das abordagens analíticas e dessas relações objetiva definir e descrever os processos geradores da sedimentação e constitui a estratigrafia genética.

Por fim, a identificação de ciclos litológicos em que nem sempre é possível determinar sua duração é útil como ferramenta de correlação e constitui uma extensão da litoestratigrafia, que recebe a designação de cicloestratigrafia.

Fig.1: Relação entre táxon, tempo e espaço: noção de biozona e cronozona. (Imagem retirada do livro 82 resumos geológicos. Todos os direitos reservados à Oficina de Textos)

A bioestratigrafia

A bioestratigrafia é a disciplina estratigráfica que utiliza os fósseis ou traços de atividades biológicas nas camadas geológicas, a fim de organizá-los em unidades definidas pelo inventário paleontológico e classificá-los em função do tempo.

A unidade-base da bioestratigrafia é a biozona (unidade bioestratigráfica), que fixa os limites e estabelece datações relativas e correlações regionais e globais. Identifica-se uma biozona por meio da análise de seu conteúdo paleontológico e pela posição que esse conteúdo lhe determina na sucessão irreversível da evolução do mundo animal e vegetal.

A bioestratigrafia corresponde praticamente à extensão espaço-temporal de um ou diversos táxons ou a um intervalo compreendido entre um aparecimento (ou um desaparecimento) e outro aparecimento (desaparecimento) de táxons (Fig.1).

A cronozona, diferente da biozona, é o conjunto de camadas sedimentares depositadas desde o primeiro até o último aparecimento da espécie, sem levar em consideração sua distribuição espacial. Pode-se encontrar determinada cronozona num local onde não houve a espécie característica.

A precisão da datação bioestratigráfica depende da qualidade e da confiabilidade da separação de biozonas, já que o índice de táxon determina um intervalo de tempo mais ou menos longo (poder de resolução).

Matéria publicada em 18 de março de 2020


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