Livro discute a Restauração Florestal a partir de experiências brasileiras

Três renomados pesquisadores brasileiros – Ricardo Ribeiro Rodrigues, Sergius Gandolfi e Pedro Henrique S. Brancalion – uniram forças para escrever “Restauração Florestal“. A obra explica conceitos, métodos e técnicas de restauração florestal de maneira didática e acessível. Tem por base exemplos reais da realidade agrícola, com ilustrações e imagens do acervo dos próprios autores, obtidas em investigações de campo.

Além disso, há um capítulo especialmente dedicado à geração de renda e à adequação ambiental e agrícola de propriedades rurais que está sendo muito discutida atualmente por causa das exigências legais do “Novo Código Florestal” e também um de Restauração com fins econômicos, para geração de renda. É conteúdo de referência ao alcance das mãos!

Hoje, no Comunitexto, o professor Pedro Henrique S. Brancalion, que coordena o Laboratório de Silvicultura Tropical da Esalq/USP, conta um pouco mais sobre esse livro.

Comunitexto: Professor Pedro, você pode nos contar como este livro surgiu?

Pedro H. Brancalion: Esse livro foi motivado por vários contextos.  O primeiro deles é a falta de material didático para público acadêmico – alunos de graduação e pós-graduação – escrito em português e voltado às características naturais do Brasil. Desde quando comecei a lecionar eu percebi que havia demanda por um livro que desse suporte ao professor (para a organização das aulas, sistematização do conteúdo) e que também fosse acessível para os estudantes.

O segundo é a falta, também, de material didático para cursos de capacitação profissional. O Ricardo, o Sergius e eu sempre nos envolvemos muito com esses cursos e uma obra de referência fazia falta. Além disso, nós já tínhamos elaborado juntos, com a participação de mais autores, o referencial teórico do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que foi publicado em 2009 e precisava ser atualizado.

De lá pra cá tivemos novas experiências em campo e avanços na legislação, tivemos a chegada do novo Código Florestal em 2012. Havia interesse em atualizar esse material. Em contato com a editora, optamos por elaborar esse conteúdo na forma de um livro-texto, com um estilo atrativo e didático para o leitor.

CT: O livro também tem contribuições de convidados. Qual era o objetivo de vocês ao trazerem outros pesquisadores e profissionais que atuam na área para dentro dessa obra?

PHB: Nós pensamos nisso porque a restauração é uma atividade muito ampla. Existem vários pontos de vista sobre o mesmo assunto – o que é natural e saudável. Então tivemos a preocupação de incluir nesse livro contribuições de várias pessoas de referência em áreas de atuação específicas.

Esses convidados contam suas experiências em caixas de texto incluídas ao longo dos capítulos. Não queríamos mostrar apenas o nosso ponto de vista, mas abrir espaço para que outras perspectivas fossem apresentadas.

Também tínhamos o objetivo de mostrar para estudantes, técnicos e profissionais quem são as pessoas que trabalham com diferentes assuntos na área de restauração, facilitando o contato entre essas pessoas. Acho que, de um modo geral, a ideia era não concentrar as atenções somente no que a gente faz, mas dar espaço para outras pessoas mostrarem seu trabalho e atraírem a atenção e o contato de quem tem interesse em temas mais específicos da área de restauração.

CT: Quais os diferenciais deste livro? Como ele aborda esse tema tão complexo?

PHB: O que esse livro tem de diferente é a forma como ele está organizado, e eu acho isso bem interessante: é como uma viagem com o leitor pelos diversos passos dessa atividade. Então, embora seja um livro técnico, ele começa com capítulos que levantam questões mais filosóficas: por que recuperar áreas degradas; que vantagens isso traz?

Depois temos um capítulo sobre o histórico da restauração no Brasil, justamente pra que as pessoas possam entender como essa atividade se iniciou, como ela foi evoluindo com o tempo e em que patamar nós estamos hoje.

E depois são apresentados capítulos técnicos, também numa ordem didática: eles vão desde o diagnóstico, a escolha de métodos apropriados em função desse diagnóstico, a escolha de como monitorar, como acompanhar a efetividade desses métodos que foram definidos, até questões sobre produção das sementes e mudas de espécies nativas necessárias pra que esse métodos sejam implantados.

Então o livro tá estruturado de forma a facilitar a vida do leitor, pra que ele entenda de forma bastante integrada, clara, como se dá e o que significa o trabalho de restauração.

CT: E quem vocês acham que pode se beneficiar desse material?

PHB: Em primeiro lugar, alunos de graduação e pós-graduação dos mais diferentes cursos. A restauração ecológica é hoje uma atividade transdisciplinar, que tem sido tratada em cursos de Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal, Ecologia, Geografia, Biologia, Gestão Ambiental e vários outros. Também já existem disciplinas de pós-graduação específicas sobre restauração florestal.

E, claro, pode beneficiar técnicos e profissionais que fazem parte de cursos de capacitação. Além disso, o livro é acessível para aqueles que não fizeram nenhum curso mas trabalham com restauração no dia a dia, e  precisavam de um documento de consulta e de leitura (seja para ter como base, seja para se atualizar nessa atividade).

Hoje a restauração é um tema bastante amplo, que desperta atenção não só de técnicos, especialista e estudantes da área mas do público em geral. É uma atividade que pode ser desenvolvida por um sitiante, ou por um gestor na cidade interessado em recuperar a margem de um rio que corta seu bairro.

Por isso elaboramos um material que pode atender um público mais amplo: com linguagem simples, didática e direta pra facilitar o entendimento por pessoas que não sejam especialistas, mas tecnicamente embasado, rico em exemplos e consistente em seu conteúdo.

Saiba mais sobre os autores:

Pedro H. S. Brancalion é Professor Doutor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), onde coordena o Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop).

Sergius Gandolfi é Professor Assistente Doutor da Esalq-USP. É especialista em Ecologia de Comunidades Florestais e Restauração Ecológica e coordena, junto com Professor Ricardo R. Rodrigues, o Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf).

Ricardo Ribeiro Rodrigues é Professor Titular do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq-USP e coordenador do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf), onde está o Programa de Adequação Ambiental e Agrícola de Propriedades Rurais, com quase 4 milhões de hectares de propriedades rurais em processo de adequação no Brasil e mais de 9.700 hectares de matas ciliares restauradas até o momento.

Quer conhecer mais a obra? Acesse agora aqui!