Manejo conservativo fluvial: conceitos

O manejo conservativo é o grande desafio para os projetos de exploração dos recursos fluviais e prevê estratégias baseadas no binômio conservação-restauração

O conceito moderno de manejo fluvial deve considerar não apenas a magnitude, mas também a dimensão temporal das alterações no sistema fluvial. (Foto: Ahmadm/Pixabay)

 

A convivência do homem com sistemas fluviais alterados ou não alterados exige a aplicação de técnicas e metodologias que permitam a exploração necessária dos recursos hídricos com o mínimo impacto, de modo que o sistema mantenha sua estrutura e funcionamento.

Para tanto, o manejo deve ser pensado no âmbito da bacia hidrográfica, e não apenas da planície aluvial. Por meio do manejo conservativo, pretende-se utilizar os recursos biológicos e físicos do rio de modo sustentável, numa tentativa de harmonizar e balancear os diferentes empreendimentos que o homem impõe ao ambiente em seu benefício.

Para isso, são desenvolvidas estratégias que visam à redução do estresse ambiental, da contaminação e do uso intensivo do ambiente. Dessa forma, o manejo pressupõe estratégias de curta duração que possibilitem uma preservação de longa duração, ou seja, nenhum processo que provoque uma alteração ambiental irreversível deve ser permitido.

Conceito atual

Assim sendo, o conceito moderno de manejo fluvial deve considerar não apenas a magnitude, mas também a dimensão temporal das alterações no sistema fluvial, diferentemente do que era feito até muito recentemente, quando o manejo considerava o canal como uma entidade estática, e não dentro de um processo contínuo de evolução da paisagem.

O manejo conservativo é o grande desafio para os projetos de exploração dos recursos fluviais, dessa maneira prevê estratégias baseadas no binômio conservação-restauração.

Nesse manejo são aplicadas técnicas para auxiliar a recuperação e acelerar o restabelecimento dos processos físicos e ecológicos naturais ou anteriores ao impacto. Deve-se ter em mente que é impossível a restauração completa das condições originais, uma vez que não apenas os impactos na planície aluvial afetam o sistema, mas também a própria ocupação da bacia produz alterações no suprimento de água e sedimento ao sistema.

As técnicas de restauração podem ser passivas, quando se dirigem aos fatores que evitam a degradação, ou ativas, quando modificações específicas são feitas para acelerar a recuperação, como a reconstrução morfológica dos meandros.

Tudo a ver

Está disponível em nosso lojão o livro Geomorfologia fluvial. Nele, o Profº José C. Stevaux oferece uma sólida introdução aos processos fluviais e às morfologias derivadas, ressaltando sua importância no gerenciamento, preservação e recuperação dos rios.