Mapas, gráficos e redes: Entrevista com Marcello Martinelli

Matéria publicada em 19.9.2019

Pesquisador e educador em Geografia, especialmente, na área da cartografia, o Prof. Marcello Martinelli comenta sobre a interpretação de mapas e o papel da cartografia no Brasil

(Imagem: Yuri_b/Pixabay)

Comunitexto: Profº Martinelli, o senhor considera que atualmente ainda existem muitas dificuldades para interpretar mapas, gráficos e redes por parte dos profissionais que fazem uso dessas ferramentas?

Marcello Martinelli: Talvez existam, pois estas três elaborações gráficas se apoiam em orientações específicas da Cartografia, Matemática e Estatística. Assim, os profissionais que fazem uso dessas Representações podem não estar preparados convenientemente para dominar tais elaborações.

CT: O fato de que muitas vezes são vistas como imagens meramente ilustrativas resulta numa análise precária?

MM: Sim, é praticamente uma prática adquirida de encarar um mapa, um gráfico, uma rede, apenas como um desenho, um esquema, uma figura, sem entrar nos pormenores trabalhados ou exibidos pelos três construtos.

CT: Como a constante atualização da tecnologia interfere na fabricação de mapas, gráficos e redes?

MM: A tecnologia pode ser uma grande contribuição. Há softwares específicos ou gerais que conseguem tais resultados. O ideal seria ter um software que articulasse as diretrizes de elaboração de mapas, gráficos e redes, em atendimento à variada gama de solicitações.

CT: Como é estipulado as cores que serão usadas num mapa?

MM: O uso de cores no mapa, no gráfico e na rede é um capítulo a parte, pois não basta apenas dominar a Teoria das Cores, como há necessidade de se ingressar no domínio da Psicologia da percepção, Teoria tricromática de Helmholtz e da Gramática da Linguagem da Representação Gráfica para se produzir produtos que possam revelar o conteúdo da informação com o mínimo tempo de apreensão, que constrói a imagem de conjunto, para tornar completa a comunicação. Ter-se-á como resultado o entendimento em prol da compreensão a caminho do conhecimento.

CT: Por fim, como vê a cartografia no Brasil em termos teóricos e práticos?

MM: Todas as instituições de ensino técnico e superior, hoje estão preparadas para esse domínio. O que se vê, por vezes aqui e ali, algumas imprecisões, incorreções e falhas, que com o alcance de uma boa Bibliografia pode-se acertar esses pontos para um ensino e aprendizagem que o Brasil merece.


Tudo a ver

A proposta de Mapas, gráficos e redes: elabore você mesmo nasceu da necessidade de se trabalhar com eles junto aos alunos do curso de graduação em Geografia, ele está organizado em três grandes partes fundamentais: uma sobre os mapas, outra sobre os gráficos e uma terceira acerca das redes.