Os desafios do sensoriamento remoto de grandes vegetações

A Profª Tatiana Kuplich, pesquisadora do INPE, pontua variáveis que o SR de grandes vegetações pode enfrentar, e o que é possível fazer para evitá-las?

A vegetação do RS é marcada pela diversidade o que requer um trabalho minucioso em sua análise. (Foto: G1)

 

O sensoriamento remoto permite obter medidas radiométricas de um alvo em um grande número de estreitas bandas espectrais. Os dados coletados por estes sensores podem ser transformados em informações sobre diferentes coberturas vegetais que estão relacionadas com aspectos biofísicos da vegetação.

Sendo a vegetação um importante elemento dos ecossistemas, seus estudos ganham ênfase, sobretudo, por buscarem conhecimentos acerca de suas variações, padrões distributivos, ciclos, modificações fisiológicas e morfológicas.

No entanto, o SR em vegetações esbarra em algumas variáveis que podem atrapalhar, mas também serem evitadas. São elas:

  • A escala de trabalho, ou seja, partes da planta, toda a planta, um conjunto de plantas e vários conjuntos de plantas espacialmente distribuídos;
  • O ambiente em que se encontram as plantas;
  • A época do ano, devido às condições de iluminação e disponibilidade hídrica;
  • E os tipos e parâmetros das imagens utilizadas.

Mesmo que o radar seja imune a cobertura de nuvens é sempre mais interessante trabalhar com dados em época de seca. O conteúdo de umidade tanto na vegetação quanto no solo, pode dificultar o processo de classificação.

Às vezes até a própria disponibilidade de dados, embora eu ache que está um pouco melhor com o Sentinel1.

Mas para fazer monitoramento, a gente não consegue fazer monitoramento mais do que 1x por mês uma área, por exemplo, para fenômenos que têm uma dinâmica muito grande como desmatamento, pois em 1 semana podem desmatar uma área imensa, nós temos que contar com dados e imagens, mas as vezes não é fácil conseguir imagens frequentes da área.

Agora, uma das vantagens do Sentinel1 é que é uma constelação com dois satélites, então pelo menos duas imagens por semana a gente consegue.

Tudo a ver

O livro Sensoriamento remoto da vegetação – 2ª edição, onde são atualizados os principais conceitos relacionados à área, como comportamento espectral das plantas; aparência da vegetação em imagens multiespectrais e técnicas de processamento de imagens, entre outros. Há também um novo capítulo sobre dados de radar no estudo da vegetação.