Os princípios da Avaliação pós-ocupação na engenharia civil: Entrevista

Matéria publicada em 3/10/2019

Ana Judite G. L. França, autora do livro Avaliação pós-ocupação: na arquitetura, no urbanismo e no design – da teoria à prática, responde de maneira categórica sobre as práticas da APO pelos engenheiros civis: “Podem contribuir muito”

Na prática profissional, a APO, além de poder auxiliar os arquitetos designers, também pode ter enorme contribuição na vida dos engenheiros que, infelizmente, desconhecem seus benefícios. (Imagem: Portal Ig)

As aplicações de avaliação pós-ocupação têm conseguido, num primeiro momento, auxiliar no incremento da reflexão crítica e tecnicamente mais consistente dos graduandos em arquitetura e em design, sobretudo, que dela se apropriam, para desenvolvimento de projetos de edifícios e de produtos.

Na prática profissional, a APO, além de poder auxiliar os arquitetos designers, também pode ter enorme contribuição na vida dos engenheiros que, infelizmente, desconhecem seus benefícios. Conversamos com Ana Judite G. L. França, professora no Departamento de Tecnologia da Arquitetura da FAUUSP, sobre as vantagens da avaliação pós-ocupação na engenharia civil.

Comunitexto: Como os princípios da avaliação pós-ocupação podem contribuir especificamente para os profissionais da Engenharia Civil?

Ana Judite G. L. França: Podem contribuir muito. O escopo da avaliação pode envolver diferentes disciplinas, tais como: durabilidade e manutenibilidade de materiais e sistemas construtivos, conforto térmico e eficiência energética. Por isso, os resultados aferidos são de interesse não apenas de engenheiros civis, mas também de engenheiros envolvidos com projetos de instalações prediais.

CT: Quais os outros aspectos da avaliação pós-ocupação que podem beneficiar o engenheiro?

Ana Judite G. L. França: Profissionais dessa área também podem realizar a APO para identificar aspectos críticos relacionados à respectiva disciplina, bem como seus eventuais impactos financeiros e níveis de risco ao usuário.

Leia mais

Peculiaridades da APO

APO e avaliação de desempenho

CT: Considera que o conjunto de técnicas de APO ainda subestimado por arquitetos e engenheiros? Se sim, por que?

Ana Judite G. L. França: Sim. Embasar as decisões de projeto de modo consistente cria um importante diferencial competitivo para os profissionais envolvidos com o projeto e a gestão de edificações. Além disso, o diagnóstico de APO oferece feedback quanto às soluções de projeto, criando a oportunidade de aprimoramento contínuo de sua prática profissional.

CT: Normalmente depois de quanto tempo é feita a APO? É realizada mais de uma avaliação dependendo do projeto?

Ana Judite G. L. França: A APO pode ser aplicada a edificações com no mínimo 1 ano de uso. Além disso, o ideal é que seja reaplicada periodicamente, para embasar adequadamente decisões relacionadas a modificações nos usos previstos para os ambientes, requalificações ou ampliações, bem como para verificar o comportamento das soluções de projeto frente às ações de reformas e manutenções realizadas.


Tudo a ver

Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática leva ao leitor amplo conhecimento conceitual e prático para a aplicação da APO em ambientes construídos e objetos no decorrer de seu uso, de modo a aferir seu desempenho físico, à luz da percepção dos seus usuários.