Por que algumas pessoas podem comer muito sem engordar?

Alicia Kowaltowaksi, médica e autora do livro “O que é metabolismo? como nossos corpos transformam o que comemos no que somos” atribui  isso a dois motivos principais:

O primeiro não é propriamente um efeito metabólico, mas de gasto energético: o aumento da atividade muscular. Isso inclui pessoas que praticam exercício físico e, portanto, gastam muito ATP, que é reposto pela quebra dos alimentos ingeridos, e também pessoas que não praticam exercícios clássicos, mas que naturalmente se movimentam mais.

É surpreendente, mas a soma de pequenas movimentações (como balançar as pernas, remexer-se, ficar em pé por mais tempo, pegar as escadas em vez do elevador, limpar a casa, brincar com crianças e outras atividades do dia a dia) resulta em um gasto energético significativo no final do dia.

Há pessoas que naturalmente tendem a ter mais dessas atividades – são aquelas mais agitadas por natureza. O pesquisador norte-americano James Levine mediu essas atividades que não constituem exercícios no seu laboratório da Mayo Clinic, em Nova Iorque, usando um tipo especial de segunda pele com sensores que registram os movimentos das pessoas durante as atividades diárias (Levine et al., 2005; ver também Vlahos, 2011).

Ele viu que há uma correlação muito grande entre a quantidade dessas pequenas atividades físicas e a menor tendência de uma pessoa engordar. Mais surpreendente ainda: pessoas naturalmente magras, quando colocadas em dietas muito ricas em calorias, espontaneamente aumentavam seus movimentos corriqueiros, literalmente queimando as calorias sobressalentes!

Mas o aumento dos níveis de movimento não é propriamente um mecanismo metabólico de perda de peso, e sim uma característica comportamental.

O segundo motivo para a existência de pessoas que comem muito e não engordam é realmente metabólico e novamente está relacionado com a quantidade de energia aproveitada nas nossas mitocôndrias versus a quantidade perdida na forma de calor.

Enquanto o dinitrofenol era uma maneira de promover o popular “metabolismo acelerado” por meio da ingestão de uma molécula que não sintetizamos, todos nós temos uma proteína capaz de promover um curto-circuito mitocondrial. Ela é chamada de proteína desacopladora, por ser capaz de desacoplar ou desvincular a degradação dos nossos alimentos da síntese de moléculas de ATP.

A diferença importante entre a proteína desacopladora e o dinitrofenol é que o efeito da primeira é muito mais limitado e controlado, evitando, assim, que promova um aumento perigoso da temperatura corporal.

Tudo a ver

O-que-é-metabolismo-CAPA-webPara saber mais sobre este assunto, leia o livro “O que é Metabolismo? como nossos corpos transformam o que comemos no que somos”. A médica e pesquisadora Alicia Kowaltowski explica, num formato de perguntas e respostas, como os alimentos que comemos são transformados em moléculas essenciais ao nosso organismo e em energia.

Com uma abordagem bem fundamentada cientificamente, mas ainda assim de leitura fácil e fluida, ela descreve a regulação do metabolismo por hormônios e fala das principais doenças metabólicas de nossa época: obesidade, diabetes tipo II, dislipidemia, patologias cardiovasculares e neurovasculares, entre outras.

O livro ensina que pessoas com maior rendimento no aproveitamento respiratório dissipam menos energia na forma de calor e têm maior tendência a acumular o excesso de alimentos na forma de gordura. Analisa também o impacto que remédios para emagrecer podem causar no organismo e discute o avanço da pesquisa científica: como organismos-modelo (desde batatas e fermento de pão até animais de laboratório) contribuíram para o estudo de patologias e a criação de medicamentos e porque eles continuam sendo fundamentais nos dias de hoje.

Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

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