Por que o ser humano vive em torno dos vulcões

Matéria publicada em 26.11.2019

Pode parecer estranho que as pessoas vivam tão perto de vulcões mortais. Em alguns casos, a pressão por espaço no planeta nos obriga a mudar para tais habitat, porém, nos locais onde as próprias ilhas são constituídas por vulcões, pode ser impossível viver em qualquer outro lugar.  

s vulcões fornecem um suprimento constante de minerais para a topografia circundante e fertilizam a terra que os rodeia. (Imagem: Escola Kids/UOL)

Para a maior parte das pessoas, a resposta está no solo. Os vulcões fornecem um suprimento constante de minerais para a topografia circundante e fertilizam a terra que os rodeia. Embora uma grande erupção primeiro devaste a terra imediatamente ao redor, a erupção vulcânica fornece cinzas carregadas de minerais para enriquecer o solo.

Essas cinzas se alteram mais facilmente do que a rocha sólida e os solos que se desenvolvem a partir da quebra dos produtos eruptivos podem ser muito ricos e férteis. Com erupções regulares ao longo do tempo, os solos são reabastecidos e podem ser realmente muito ricos.

As exuberantes encostas cultivadas em torno do Monte Vesúvio são testemunho da virtude dos solos vulcânicos. Os vulcões também podem ser associados à mineralização do enxofre que se coleta em fumarolas e dos minerais de estanho, prata, ouro e outros que podem ocorrer ao redor dos depósitos vulcânicos.

Os vapores e as fontes quentes que estão intimamente associados com o aquecimento das águas subterrâneas em profundidade, pelo magma, fornecem outra razão pela qual as áreas em torno dos vulcões foram povoadas há séculos.

Leia também

Receita do Dr. Vulcão para fundir rochas

Tipos de vulcões, segundo o Dr. Dougal Jerram

As origens do magma

Eles podem fornecer energia geotérmica, calor e, para algumas pessoas, as fontes termais são lugares míticos onde a cura e o bem-estar espiritual podem ser encontrados. Uma cerveja gelada em uma fonte termal natural alimentada a partir de um vulcão é uma maneira fantástica de terminar o dia.

Os macacos fazem companhia aos humanos

Os humanos não estão sozinhos nisso: os macacos japoneses (gênero macaca), também conhecidos como macacos de neve, usam fontes termais para se aquecer nos meses de inverno em Yamanouchi, uma província distante no Norte do Japão, onde as temperaturas no inverno não lhes seriam toleráveis.

Macacos Macaca fuscata, também conhecidos como macacos de neve, banham-se na fonte termal de Jigokudani, em Nagano, Japão (Fonte: usuário de Wiki, Yosemite)

O turismo está desempenhando um papel crescente na interação dos humanos com os vulcões. Suas paisagens são muitas vezes lugares montanhosos e pitorescos repletos de vida selvagem.

Eles oferecem a aventura de testemunhar uma erupção, observar gêiseres e piscinas borbulhantes de lama ou relaxar nas fontes termais vulcânicas. Para a maior parte das pessoas, o turismo vulcânico não representa uma ameaça a mais do que qualquer outro tipo de turismo.

Os vulcões são geralmente quiescentes por longos períodos de tempo. Há alguns que entram em erupção regularmente, e alguns deles, como o Stromboli, são destinos turísticos por essa razão. Geralmente, os humanos aceitam o risco de uma erupção ameaçadora e grande porque o estilo de vida que o vulcão oferece prevalece sobre sua potencial ameaça.

O centro vulcânico de Yellowstone é um exemplo; é um destino turístico mundialmente conhecido, mas um supervulcão com potencial para novas erupções. O tempo prolongado entre as erupções, a memória de curto prazo das gerações e nossa crescente presença no planeta nos impedem de considerar como um vulcão pode afetar nossas vidas, e o risco, que está sempre presente, deixa de ser uma preocupação.

Hoje, os vulcões perto de densos centros populacionais são cada vez mais bem monitorados, de modo que a possível ameaça de uma erupção é entendida como menos ameaçadora para a vida: os riscos são percebidos como sendo maiores para a propriedade e para os meios de subsistência.