Prós e contras do uso de dados de sensoriamento remoto para deslizamentos

A utilização de imagens de sensoriamento remoto na avaliação de danos causados por eventos de escorregamento é sem dúvida uma ferramenta importantíssima na avaliação de perdas materiais e de possíveis vítimas. As contribuições dessas imagens variam desde a delimitação de áreas populacionais afetadas até a avaliação dos danos estruturais em edifícios e infraestruturas críticas.

A integração de dados de sensoriamento remoto e modelos numéricos de terreno (MNTs) em ambientes computacionais como SIG e outros sistemas de modelagem e simulação pode fornecer assistência valiosa para um sistema de apoio a uma decisão mais eficiente e abrangente.

No evento ocorrido em 11 e 12 de janeiro de 2011 na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, foram produzidas cartas-imagem para a Defesa Civil atuar no desastre. Essas cartas foram elaboradas pelo Inpe a partir do acionamento do International Charter. A Fig. abaixo mostra detalhes de uma dessas cartas no município de Teresópolis, elaborada com base em uma imagem Spot-5 adquirida em 21 de janeiro de 2011.

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Área de Teresópolis (RJ). As áreas afetadas por escorregamentos estão indicadas pelas setas amarelas. Fonte: <www.disasterscharter.org/image/journal/article.jpg?img_id=93385&t=1297855607015

 

Uma novidade no mercado de mapeamento e monitoramento é a “invasão” dos veículos aéreos não tripulados (VANTs), equipamentos com baixíssimo custo quando comparados às fotografias aéreas convencionais e que podem gerar produtos de boa qualidade. Entretanto, os VANTs ainda carecem de legislação clara relativa à execução de voos sobre áreas habitadas para mapeamento rural e urbano.

Além do mapeamento em si, os VANTs podem ser muito úteis na resposta a desastres naturais com ocorrência generalizada de escorregamentos e do transporte do material mobilizado na forma de corridas, pois possibilitam uma agilidade que não é encontrada no uso de aviões e na programação de imageamento por satélites.

Algumas empresas brasileiras já possuem projetos e equipamentos que poderiam contribuir em aspectos relacionados a desastres desse tipo. Hoje existem várias opções de VANTs, com distintas autonomias de voo, que poderiam se encaixar em missões para a identificação de áreas com deslizamentos de terra com agilidade para a resposta rápida e eficaz a emergências.

Além disso, enquanto os satélites com sensores ópticos ficam limitados à presença de nuvens na região, o que requer o uso de imagens obtidas com radar, os VANTs não sofrem com essa limitação, pois voam abaixo das nuvens. Outra diferença é em relação ao custo operacional e humano, já que operar um avião não tripulado custa muito menos, além de não expor a tripulação a riscos.

As técnicas atuais de observação da Terra por sensoriamento remoto têm trazido rápidos avanços nas três fases do estudo de escorregamentos, isto é, na detecção e classificação, no monitoramento e nas análises de risco.

Os avanços estão em quase todos os tipos de sensores disponíveis no mercado. Como exemplo, podem-se citar os sensores ópticos de alta resolução espacial, que atualmente está na ordem de dezenas de centímetros, e o lançamento de sensores de radares construídos para aplicações de interferometria com tempos de revisita de alguns dias (TerraSAR-X e Cosmo-SkyMed).

Além disso, nos últimos anos, os satélites forneceram medições precisas de precipitação, como o Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM), lançado em 1997. As medições de precipitação por satélite podem ser usadas para prever deslizamentos de terra induzidos por precipitação. As técnicas de sensoriamento remoto ajudam muito nos trabalhos de investigações de escorregamentos de terra, tanto em escala local como regional.

Apesar de não substituírem o trabalho de campo, as estratégias de investigação são interdisciplinares, pois ajudam a testar a confiabilidade dos modelos de previsão e oferecem uma ferramenta adicional por meio da qual se podem extrair informações sobre as causas dos escorregamentos e suas ocorrências.

Mais importante que isso, elas ajudam muito na previsão de futuros eventos, o que é muito importante para aqueles que residem em áreas rodeadas por encostas instáveis.

Tudo a ver

capa_SR desastresPara saber mais sobre o tema, adquira o livro Sensoriamento Remoto para desastres organizado por Tania Maria Sausen e María Silvia Pardi Lacruz.

A obra constitui-se uma ferramenta sólida de gestão de desastres: inundações e enxurradas, secas e estiagens, incêndios florestais, deslizamentos de terra e derramamentos de óleo são objeto de estudo. As aplicações de dados de sensoriamento remoto abrangem o monitoramento e a prevenção de desastres, bem como as fases de mitigação, preparação, resposta e recuperação.