Verificando o desempenho dos sistemas construtivos e prediais: comissionamento

Matéria publicada em 19.9.2019

Uma avaliação de desempenho tem a função de prover informações que embasem as decisões de projeto, visando à qualidade durante as etapas de concepção, construção e operação, de modo a retroalimentar o processo decisório da produção de uma edificação

Wolfgang Preiser e Ulrich Schramm, incorporam à sua proposta metodológica para a elaboração de avaliações do desempenho do ambiente construído – conforme descrito no livro Building Performance Evaluation, publicado pela primeira vez em 1989 –, aspectos como a verificação do desempenho dos sistemas de uma edificação por meio de um plano de comissionamento, para promover a realimentação do projeto a partir do diagnóstico elaborado.

O comissionamento de sistemas é uma prática de grande importância para a validação do desempenho no ambiente construído. Ele consiste em um processo de verificação de documentação de sistemas e equipamentos de uma edificação, a fim de assegurar que foram projetados, instalados, testados e mantidos de acordo com as necessidades operacionais do proprietário, com vistas a propiciar seu uso pleno.

O comissionamento visa assegurar o funcionamento e desempenho dos sistemas projetados. (Imagem: CTE)

Atualmente, o comissionamento é um instrumento de gestão adotado por empreendimentos não habitacionais de médio e grande portes. Embora seja muito importante para garantir e manter o desempenho esperado de edificações de diferentes tipologias, seu emprego no Brasil frequentemente fica restrito a edificações industriais e àquelas submetidas a processos de certificação ambiental.

Nesses casos, a BPE comumente é praticada como parte de um processo de recomissionamento ou de retrocomissionamento (quando a edificação não foi submetida ao processo de comissionamento durante sua produção) da edificação que é objeto de análise.

Retrocomissionamento

Ao retrocomissionamento, sucede-se o processo de comissionamento contínuo, o qual busca aferir, com base no monitoramento e na análise dos sistemas de automação e outros medidores instalados, a eficiência dos sistemas e o retorno do investimento financeiro ao longo de toda a vida útil do edifício. O comissionamento contínuo visa garantir que as condições internas e os sistemas prediais sejam compreendidos, monitorados e reparados.

Esse processo é fundamentado nas condições operacionais do sistema, mostrando como o sistema está funcionando e identificando oportunidades de melhoria. Embora a prática do comissionamento esteja, usualmente, relacionada a sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (Avac) e outros consumidores de energia, ela se aplica, idealmente, à edificação como um todo.

Por isso, seu escopo pode incluir sistemas construtivos, entre os quais esquadrias, vedos, coberturas e acabamentos, bem como outros sistemas prediais, como sistemas hidrossanitários.

Cabe destacar que, uma vez que o processo de comissionamento tem por objetivo assegurar a qualidade do ambiente construído, seja ele novo ou objeto de requalificação, seu escopo deve incluir toda a vida útil da edificação.

Portanto, pressupõe-se que ele seja iniciado ainda na fase de planejamento, por meio da validação dos requisitos do proprietário e das premissas de projeto, e se estenda ao longo da fase de pós-ocupação, quando da verificação das condições de operação dos ambientes e de seus sistemas em uso.

Para tanto, a documentação dos requisitos legais e normativos e daqueles determinados pelo proprietário deve ser elaborada, mantida e verificada durante as diferentes fases de produção e uso da edificação. Essa mesma documentação também pode, sem dúvida, subsidiar o processo de APO.


Tudo a ver

Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática leva ao leitor amplo conhecimento conceitual e prático para a aplicação da APO em ambientes construídos e objetos no decorrer de seu uso, de modo a aferir seu desempenho físico, à luz da percepção dos seus usuários.