Formação e Coervação dos Solos

4 Fatores de Formação do Solo

          Estudos realizados em várias regiões do Globo comprovaram que a existência de diferentes tipos de solos é controlada por cinco principais fatores: (a) clima; (b) organismos; (c) material de origem; (d) relevo; e (e) idade da superfície do terreno.
          O clima e os organismos são os "fatores ativos" porque, durante determinado tempo e em certas condições de relevo, agem diretamente sobre o material de origem que, portanto, é fator de resistência ou "passivo". Em certos casos, um desses fatores tem maior influência sobre a formação do solo do que os

   

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outros. Contudo, e em geral, qualquer solo é resultante da ação combinada de todos esses cinco fatores de formação.
          A idéia de que os solos são resultantes de ações combinadas dos fatores clima, organismos, material de origem e idade foi inicialmente elaborada por Dokouchaiev. Em 1941, o suíço radicado nos E.U.A., Hans Jenny, ressaltou o relevo como fator adicional, e sugeriu também uma equação, segundo a qual a formação de um determinado solo (ou propriedade específica do mesmo) pode ser representada com o seguinte modelo:

Solo = f (clima, organismos, material de origem, relevo e tempo).

          Segundo esta "equação", é possível verificar a ação de cada um dos fatores, desde que se mantenham todos os demais constantes. Por exemplo, se quisermos estudar em separado como o clima controla a formação de um solo (ou uma de suas propriedades, como por exemplo o teor de matéria orgânica do horizonte A), teremos de procurar vários lugares com temperaturas diferentes em que os solos desenvolvem-se de uma mesma rocha sob determinado tipo de vegetação que influenciaram durante um mesmo período de tempo e sob condições de relevo semelhantes.
          A seguir, será visto como agem os cinco fatores na formação do solo, considerando-os um por um, como se fossem variáveis independentes da equação usada por Jenny. Apesar de, na prática, ser difícil "isolar" determinado fator para melhor estudá-lo esse método é útil na compreensão das diferenças em morfologia e


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composição física e química. Conseqüentemente, será assim mais fácil entender porque um solo difere do outro na cor, na espessura, na textura, na capacidade de fornecer nutrientes às plantas etc.

4.1 Clima

          O fator clima costuma ser posto em evidência sobre todos os outros, pela sua maneira ativa e diferencial. Um material derivado de uma mesma rocha poderá formar solos completamente diversos se decomposto em condições climáticas diferentes. Por outro lado, materiais diferentes podem formar solos similares quando sujeitos, por um longo período, ao mesmo ambiente climático. Os elementos principais do clima _ temperatura e umidade _ regulam o tipo e a intensidade de intemperismo das rochas, o crescimento dos organismos e, conseqüentemente, a distinção entre os horizontes pedogenéticos.
         Sabe-se que, para cada 10ºC de aumento de temperatura, dobra a velocidade das reações químicas. Sabe-se também que é a água e o gás carbônico nela dissolvido, os responsáveis pela maior parte das reações químicas quando do intemperismo dos minerais. Portanto, quanto mais quente e mais úmido for o clima, mais rápida e intensa será a decomposição das rochas, as quais, nessas condições, irão fornecer materiais muito intemperizados: solos espessos e com abundância de minerais secundários 

(principalmente argilominerais e óxidos de ferro e de alumínio) e pobres em cátions básicos (principalmente cálcio, magnésio e potássio).
          Por outro lado, em clima árido e/ou muito frio, os solos são normalmente pouco espessos, contêm menos argila e mais minerais primários, que pouco ou nada foram afetados pelo intemperismo químico. Os solos das regiões áridas a semi-áridas, quando comparados com os das regiões úmidas, apresentam comumente menores quantidades de matéria orgânica (ou de carbono) e maiores quantidades de cátions básicos trocáveis. 

Os teores totais médios de alguns dos principais compostos do solo variam de acordo com o clima.

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Principais zonas climáticas do Globo que coincidem com áreas de diferentes tipos de intemperismo.

          Sob condições de clima quente e muito úmido, a grande quantidade de chuva faz com que maiores volumes de água se infiltrem, arrastando para o nível freático e cursos d'água muitos nutrientes da solução do solo. As cargas elétricas, responsáveis pela capacidade de troca dos cátions, são então neutralizadas primeiro pelo hidrogênio e depois por alumínio, que conferem ao solo propriedades ácidas. Por esta razão, a maior parte 

dos solos das regiões áridas e semi-áridas é neutro ou alcalino, enquanto a maioria dos das regiões úmidas são ácidos.
          A distribuição da vegetação no globo terrestre está bastante relacionada com as diferentes zonas climáticas. Nos climas mais quentes e úmidos, encontram-se exuberantes florestas de árvores constantemente verdes, que produzem grandes quantidades de resíduos orgânicos, que se decompõem rapidamente. Em climas

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com longa estação seca, dominam as árvores menores, cujas folhas secam e caem durante certos períodos. Em climas desérticos, existe uma vegetação escassa com muitas cactáceas,

principalmente nos horizontes mais superficiais. Os produtos dessa decomposição também promovem a união das partículas primárias do solo, ajudando a formar os agregados que com

que podem viver com pouca água, podendo inclusive aproveitar a condensada durante a noite, depositada sob a forma de orvalho. Portanto, uma boa parte da influência do clima é também exercida por um segundo fator de formação dos solos que é o conjunto de organismos vivos.

4.2 Organismos

          Os organismos que vivem no solo são também de  grande importância para a diferenciação dos seus perfis. Eles compreendem (a) microrganismos (ou microflora e   microfauna); (b) vegetais superiores (macroflora); (c) animais (macrofauna); e (d) homem.
          Os microorganismos incluem algas, bactérias e   fungos. Eles desempenham, como função principal, o   início da decomposição dos restos dos vegetais e animais,  ajudando assim a formação do húmus, que se acumula  

Principais tipos (domínios) de vegetação do Brasil.

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