‘3 Geos’: Entrevista com Antônio Guerra e Maria do Carmo

Professores falam sobre pedologia, o papel dos solos na sustentabilidade dos ecossistemas e a preservação do solo em certos pontos turísticos, temáticas presentes no livro Geoturismo, geodiversidade e geoconservação. Confira!

A fim de preservar o solo, as visitas turísticas às dunas do Jalapão tem diminuído consideravelmente. (Imagem: Divulgação)

 

Comunitexto: No livro vocês comentam sobre o papel do solo sob a óptica do geoturismo, da geodiversidade e da geoconservação. Qual o papel dos solos na sustentabilidade dos ecossistemas?

Prof. Antônio José Teixeira Guerra: É de importância fundamental, porque é sobre o solo, que grande parte das atividades econômicas desenvolvidas na superfície terrestre é desenvolvida, inclusive o turismo. Dessa forma, ele também foi abordado nesse livro, contendo principalmente exemplos brasileiros.

CT: Segundo o livro, “diversos autores têm dado peso maior à geologia e à geomorfologia em detrimento da pedologia”. Por que isso ocorre?

Prof. Antônio José Teixeira Guerra: Isso ocorre, porque as formações geológicas e geomorfológicas chamam mais atenção dos turistas. O que eu quis mostrar nesse capítulo, é que os solos também fazem parte da geodiversidade, e precisam de estratégias de geoconservação. Daí a necessidade de ser melhor explorado, quando se trata de geoturismo.

CT: Hoje em dia, pontos turísticos como o sitio arqueológico Machu Picchu (Peru) e as dunas do Parque Estadual do Jalapão (Brasil) tem apelado para horários de visitas reduzidos em prol, entre outros motivos, da preservação do solo. Com o passar do tempo podemos esperar que maravilhas como essas percam seu valor turístico para serem conservadas, funcionando como cartões postais inacessíveis?

Profª. Maria do Carmo: A nosso ver não, porque sempre haverá a possibilidade de visitarmos essas áreas, não acreditamos que elas sejam fechadas ao público, até porque são áreas que fazem parte do roteiro econômico. O que acreditamos é que não pode continuar a haver o turismo predatório, principalmente em locais de grande fragilidade ambiental. Daí a importância do trinômio geodiversidade, geoconservação e geoturismo.

Prof. Antônio José Teixeira Guerra: Poder usufruir de um local com alto valor turístico, como os exemplos citados, mas utilizando-se de mecanismos que valorizem não somente a apreciação, mas a interpretação de informações e, consequentemente, a conscientização sobre a importância desses elementos naturais e sua conservação. O geoturismo procura, dessa forma, minimizar o impacto ambiental e cultural exercido sobre os locais e populações.  Nós, como professores universitários e pesquisadores, temos muita responsabilidade de evitar esse tipo de turismo predatório.

Tudo a ver

geoturismo-geodiversidade-geoconservação-capaGeoturismo, geodiversidade e geoconservação: abordagens geográficas e geológicas trata dos principais atributos dessa forma de turismo, destacando a importância do patrimônio geológico, a cartografia da geodiversidade, o papel do solo, os fósseis e avançando na implementação dos conceitos em geoparks, visitação em trilhas e o papel das comunidades locais.

Confira ainda outras duas entrevistas que fizemos com os autores Antonio José Teixeira Guerra e Maria do Carmo Oliveira Jorge. Na Parte 1 eles falam sobre o processo de criação livro, enquanto na Parte 2 comentam sobre sustentabilidade ambiental, unidades de conservação e o famigerado turismo predatório.