Integrando restauração florestal e geração de trabalho e renda

A cobertura florestal da região entre os parques nacionais do Pau Brasil e do Monte Pascoal, duas das principais Unidades de Conservação do Corredor Central da Mata Atlântica, sofreu nos últimos 60 anos uma redução drástica em razão de atividades como a pecuária extensiva e a extração de madeiras, o que causou, entre outros problemas, a deterioração da qualidade das águas nas bacias dos rios Caraíva e Frades.

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Em 2004, comunidades locais da região se mobilizaram, em conjunto com o Instituto Cidade e o Grupo Ambiental Natureza Bela, e iniciaram um amplo projeto de recuperação ambiental e mobilização social, incluindo ações de restauração florestal de áreas críticas para a proteção dos recursos hídricos e a reconexão ecológica entre os dois parques.

Percebendo essas ações como alternativas de trabalho e renda para moradores locais, lideranças comunitárias criaram, em 2007, a Cooperativa dos Reflorestadores de Mata Atlântica do Extremo Sul da Bahia (Cooplantar). Com o apoio de novos parceiros, em especial o Instituto BioAtlântica, a Conservação Internacional, a The Nature Conservancy, a Veracel Celulose e o Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Esalq/USP, os membros da cooperativa receberam treinamento e orientação técnica e gerencial, permitindo a conciliação entre recuperação da cobertura florestal e geração de renda local.

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O primeiro curso sobre as práticas de restauração florestal dadas aos membros Cooplantar em 2006. Foto por Beto Mesquita. Publicado na revista Ecological Restoration, vol. 28 nº 2 – 2010).

 

Até o final de 2010, a Cooplantar foi responsável pela execução das operações de restauração florestal em mais de 200 ha no corredor, sendo atualmente a maior fonte de renda individual das comunidades de Caraíva e Nova Caraíva, ainda que a primeira seja um importante destino turístico.

Os contratos assinados em 2010 permitiram que a cooperativa restaurasse mais 300 ha até 2014. Os principais desafios da Cooplantar no momento são a profissionalização e o aumento da eficiência da gestão e a superação do preconceito com a contratação de cooperativas de trabalho.

ecological reflorationAlém disso, a cooperativa prepara‑se para atuar mais diretamente na coleta de sementes e na produção de mudas, de modo a ter maior inserção nos demais elos da cadeia produtiva da restauração florestal. Além da renda, o trabalho da cooperativa tem gerado outros benefícios à comunidade, incluindo uma maior participação em fóruns regionais sobre as questões socioambientais.

O reconhecimento internacional veio em 2010, com um artigo de destaque e a capa de uma edição da Ecological Restoration (volume 28, número 2)

Tudo a ver

Restauracao-florestal-CAPA_webEste texto foi escrito por Carlos Alberto Bernardo Mesquita, Conservação Internacional; José Dílson da Silva Dias, Cooplantar e João José Pinto Walpoles Henriques, Conservação Internacional e retirado do livro Restauração Florestal organizado por Pedro H. S. Brancalion, Sergius Gandolfi e Ricardo Ribeiro Rodrigues.

A obra apresenta inúmeros exemplos reais e valiosos depoimentos das principais lideranças brasileiras e mundiais no setor. Além, claro, de fornecer diretrizes conceituais e práticas para definir e implantar as ações de restauração mais adequadas em termos ecológicos, operacionais e de custos, seguindo a legislação ambiental brasileira.