Engenharia civil

Recursos hídricos e meio ambiente

Evolução da Drenagem Urbana em São Paulo

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), por meio de ações da PMSP, e do DAEE, bem como das prefeituras da região do ABCD, transformou-se nos últimos anos em referência nacional na implantação de soluções inovadoras de drenagem urbana.

 A quantidade e o porte das obras “não convencionais” de drenagem já implantadas na região, entre 1994-2003, justificam a sua condição de líder nacional nessa especialidade. Como resultado das ações empreendidas até o ano de 2003, cerca de 33 bacias de detenção, denominadas piscinões com um volume de retenção total próximo de 4,5 milhões de metros cúbicos, foram implantadas na RMSP.

Desde a mudança do paradigma, representada pela implantação do reservatório do Pacaembu, e pelos resultados obtidos, sentiu-se necessidade de planejar as ações, incorporando uma visão mais conservacionista,  apoiada em planos diretores de drenagem, como o PDMAT e o plano de drenagem de Santo André.

quadro11
Necessidade de reservação preconizada pelo PDMAT em algumas bacias da RMSP, e o realizado até 2003. Fonte: Retirado do livro “Drenagem Urbana e Controle de Enchentes” Ed. Oficina de Textos.

 

Atualmente, além das obras de retenção, na RMSP, encontram-se implantadas obras de amortecimento de cheias nos canais, além de iniciados os estudos para a efetivação de ações voltadas à restauração de rios urbanos, uma iniciativa da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo – SVMA, na bacia do rio Aricanduva.

O Quadro abaixo ilustra essa evolução. Para o futuro, além da continuidade das obras de controle da quantidade da água pluvial, e à medida que os esgotos sanitários recebam tratamento adequado, prevê-se que o foco será direcionado também ao controle da poluição difusa, ou seja, da qualidade d’água dos rios urbanos. Paralelamente, a readequação dos fundos de vale, com a restauração das suas margens, vegetação ciliar e a criação de parques lineares (greenways), certamente merecerá atenção especial dos administradores públicos.

quadro 22
Histórico da evolução conceitual nas ações de drenagem na RMSP. Fonte: Retirado do livro “Drenagem Urbana e Controle de Enchentes” Ed. Oficina de Textos.

 

A falta de visão sistêmica no planejamento da macrodrenagem, que predomina por diversas razões, é a grande responsável pelo estado caótico do controle das enchentes nas áreas urbanas brasileiras. Nesse cenário, destaca-se a necessidade inadiável de planificar ações preventivas, onde ainda forem possíveis, e corretivas, onde o problema já se encontra instalado. No entanto, essas ações devem ser realizadas de maneira integrada, abrangendo toda a bacia hidrográfica, esteja ela inserida num ou em vários municípios. Tais são, em resumo, a abordagem e o principal objetivo do plano diretor de macrodrenagem que muitas cidades e regiões metropolitanas do Brasil e de outros países vêm adotando sistematicamente.

Tudo a ver

capaPara entender mais sobre o assunto confira o livro Drenagem Urbana e Controle de Enchentes do engenheiro Aluísio Canholi, responsável pela introdução no Brasil dos reservatórios de detenção urbanos, popularmente conhecidos por “piscinões”, e o responsável técnico por um dos maiores trabalhos de planejamento feitos no País: o Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, uma das regiões mais problemáticas do mundo em termos de recursos hídricos.

Drenagem Urbana e Controle de Enchentes é uma contribuição técnica ímpar no campo da drenagem das grandes cidades. Introduz novos conceitos de projeto, revê o conceito clássico da Engenharia Sanitária de dimensionar obras hidráulicas e propõe novas medidas estruturais não convencionais para a drenagem das grandes cidades.

Com destacado valor didático, a obra cobre uma lacuna técnica importante, trazendo para estudantes e profissionais da Engenharia uma fonte de consulta até então inexistente na língua portuguesa. Referência para planejadores urbanos e outros profissionais de áreas correlatas, envolvidos com a infraestrutura das cidades e seus diversos impactos.

Para saber mais