Mapeamento digital do solo (MDS): 3 perguntas para Igo Lepsch

Matéria publicada em 26.11.2019

Conversamos com um dos grandes especialistas em solos sobre os principais métodos utilizados em MDS, o conhecimento dos solos por parte dos profissionais brasileiros e os atributos químicos obtidos a partir do mapeamento digital. Confira a seguir o bate-papo!

(Foto: Divulgação Strider)

Comunitexto: Quais os principais métodos utilizados em MDS?

Profº Igo Lepsch: A maioria dos trabalhos de levantamento digitais usa conjuntos de covariáveis e modelos empírico-estatísticos e geoestatísticos treinados em amostras de campo que são previamente selecionadas para representar as diferentes combinações dos fatores de formação do solo.

Outro método, referido como “knowledge based”, utiliza dados de áreas-piloto representativas que são mapeadas pelo método tradicional por pedólogos experientes. Depois são feitas extrapolações desta área-piloto para toda área a ser levantada a partir das regras definidas com base na relação entre atributos da superfície e do perfil do solo. Este último método foi usado com sucesso para mapear as séries de solos do município de Essex, no estado de Vermont (EUA).

CT: Atualmente, as informações de solos e seus atributos químicos, físicos e biológicos que obtemos através do MDS são suficientes para um planejamento adequado e sustentável das atividades humanas?

Profº Igo Lepsch:  Sim. Informações sobre solos e seus atributos químicos físicos e biológicos são idênticas, tanto nos levantamentos tradicionais como nos digitais. Portanto, são suficientes para um planejamento adequado e sustentável de atividades humanas.

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CT: No Brasil, um país com dimensões continentais, o conhecimento de solos ainda é considerado muito baixo?

Profº Igo Lepsch:  O Brasil conta com aproximadamente 76% da sua área coberta por mapas de nível esquemático e exploratório;17% por mapas de nível de reconhecimento e apenas 0,25% cobertos por mapas de solos em níveis semi-detalhados e detalhados. Considerando que os mapas detalhados são os que mais informações podem fornecer diretamente aos usuários, fica claro que muito ainda está para ser feito em relação ao conhecimento de nossos solos.

Essa condição contrasta com a dos EUA, onde a National Research Conservation Service do United States Department of Agriculture (NRCS/USDA) já mapeou, em detalhe (escala próxima de 1:30.000), os solos de quase todos os municípios do país, identificando as unidades de mapeamento em nível de Série.


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