Os benefícios que um projeto de arquitetura escolar bem feito traz aos usuários

Existem já muitas pesquisas que buscam demonstrar como a qualidade do edifício pode estar relacionada com o desempenho dos alunos

Vila das Crianças: Escola no Tocantins foi eleita a melhor nova obra de arquitetura do mundo pelo prestigiado Prêmio Internacional RIBA de 2018. (Imagem: Leonardo Finotti/Divulgação)

 

Pesquisas já demonstraram que os alunos que frequentam bons edifícios escolares, apresentam melhores resultados no aprendizado de línguas e de matemática (por exemplo), quando comparados com alunos que estudam em escolas com arquitetura inferior.

Isso significa que questões que deveriam ser consideradas básicas como, conforto térmico, acústico, luminoso, funcionalidade, segurança, entre outras, precisam estar bem resolvidas, pois isso implica em cuidar da saúde de todos os usuários da escola (alunos, professores, funcionários, pais…), que afeta a produtividade de todos.

Terceiro Professor

Além dessas questões básicas, que deveriam ser presentes em todas as arquiteturas das cidades, o edifício escolar pode contribuir na formação dos seus alunos. Utilizar elementos desse edifício como ferramentas de ensino é, por exemplo, uma maneira de ensinar conceitos na prática para os alunos. É o que a arquitetura chama de edifício como o Terceiro Professor (o primeiro seria a equipe, o segundo o currículo e o material e a infraestrutura didática e o terceiro professor seria o espaço).

Outras pesquisas buscam relacionar aprendizagem, pedagogia e as suas respectivas modalidades de ensino e sua correta tradução espacial. A escola é também um marco simbólico do espaço urbano e precisa desempenhar esse papel, indo além da sua materialidade e apresentando um pouco da cultura onde está inserida”, afirma Doris Kowaltowski (Unicamp).

Ainda segundo ela, isso contribui não apenas para os usuários diretos da escola, mas também para a vizinhança que, ao identificar-se com esse edifício pode colaborar com a sua manutenção e preservação.

Humanização da arquitetura

Finalmente a humanização da arquitetura é importante. As crianças e jovens passam um grande número de horas diariamente no espaço escolar e este ambiente deve propiciar uma convivência harmonizada e acolhedora. A humanização da arquitetura implica em projetos de escala humana, evitando-se a monumentalidade, a presença do elemento da natureza por tanto a vegetação e um projeto de implantação com vegetação é essencial.

As pessoas devem se sentir em casa e a arquitetura escolar deve almejar esta percepção com projetos que aprimorem a forma e o detalhamento dos seus espaços.

Devemos finalmente alertar que o projeto do edifício escolar apresenta algumas questões próprias que se constituem em paradoxos. Por exemplo, algumas soluções para as questões térmicas originam problemas acústicos. As questões de flexibilidade exigidas pelas novas tendências pedagógicas conflitam com a especificidade necessária a alguns espaços da escola. E assim por diante”, ressalta a Profa. Doris.

Desse modo, investir nas reflexões projetuais é um caminho importante o que inclui aprofundamento das fases de análise e programa, a constituição de equipes criativas, a avaliação das propostas encontradas, a divulgação de bons exemplos, a realização de APOs confiáveis, as certificações e o comissionamento, o que ajuda a garantir que as escolas sejam plenamente funcionais, usadas e cuidadas corretamente, em favor do ensino e da aprendizagem.

Tudo a ver

Em Arquitetura escolar, disponível em nosso lojão, a arquiteta e pesquisadora Doris K. Kowaltowski traz à tona o dissenso sobre a real interferência de diferentes áreas de conhecimento na educação e apresenta nesta obra uma relação fundamental entre aprendizado e arquitetura, defendendo que a qualidade do desempenho escolar é influenciada pelo edifício e suas instalações.