Paleoparks: heranças da história da Terra

Matéria publicada em 12.11.2019

Existe, de maneira global, um rápido desaparecimento dos jazigos fossilíferos. Isso se relaciona a atividades antrópicas, como expansão urbana, industrialização, vandalismo, comercialização de fósseis e mesmo retirada em larga escala para a pesquisa científica

Em agosto de 2018, foi criado o Paleoparque de Santa Maria, com o objetivo de proteger e manter a paleobiodiversidade e a integridade dos valores geológicos, bem como dos recursos e valores naturais e culturais que lhe estão associados. (Imagem: Rádio Atlântida)

Como meio de preservação específico para áreas e afloramentos relevantes do ponto de vista paleontológico, têm‑se os paleoparks.

Esse conceito foi desenvolvido pela IPA durante o 30º Congresso Geológico Internacional em 1996, na China. Diferentemente dos geoparks, a IPA é a instituição responsável pelo cadastramento dos jazigos fossilíferos passíveis de serem considerados paleoparks, que podem ser locais já preservados ou não, independentemente de seu tamanho ou inclusão prévia a outras áreas preservadas.

Um paleopark deve ser um sítio paleontológico relevante, e, dentre as diretrizes estabelecidas pela IPA (http://www.ipa‑assoc.org/PaleoParks/goals.html; Lipps, 2009) para essa iniciativa, estão:

o desenvolvimento de ferramentas organizacionais e de comunicação para a preservação global e de proteção dos jazigos fossilíferos. Para isso, depósitos paleontológicos importantes devem ser identificados em campo, definidos como de significado local, nacional ou internacional. Estes também podem ser elementos de importância para paleontólogos (como os fósseis vivos, estromatólitos e esteiras microbianas);

identificação e organização de todos os paleoparks globalmente em uma base de dados, incluindo áreas já estabelecidas como geoparks ou com fósseis importantes, mas especialmente as novas, ainda não designadas. A base de dados deve incluir os elementos de identificação, valor histórico e turístico, mas também as condições e os objetivos para a preservação e conservação, além dos problemas identificados no local, mesmo que já estabelecidos anteriormente. A base de dados deve estar disponível somente on‑line, com senhas para uso;

apoio a atividades com supervisão de especialistas e ação para preservar e conservar jazigos importantes em nível privado, local estadual, nacional ou internacional;

identificação e resposta a problemas em jazigos ameaçados, com a opinião de especialistas;

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auxílio no desenvolvimento dos usos educacional, de pesquisa e recreacional. Alguns paleoparks podem ter as três funções, enquanto outros devem ser preservados somente para pesquisa ou educação. Cada jazigo será avaliado por especialistas;

fornecimento de informação geral para autoridades acerca dos jazigos fossilíferos onde o depósito se encontra;

disponibilização de listas com jazigos fossilíferos nos quais há atividades educacionais ou recreacionais supervisionadas. Estas devem ser on‑line e não ter senha para acesso. Os jazigos incluídos devem estar propriamente protegidos, oficialmente designados e divulgados;

promoção de um centro de informações associado a um jazigo específico para o público em geral e organizações educacionais;

identificação e fornecimento de literatura sobre os jazigos fossilíferos, que pode incluir informações científicas, recreacionais, dos aspectos legais ou administrativas;

fornecimento de um banco de imagens relacionados aos paleoparks para uso de todos os participantes.


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