Arquitetura Sustentável

Engenharia civil

Peculiaridades da APO

A avaliação pós-ocupação surgiu apoiada no compromisso com o desempenho ambiental do ambiente construído, nos países desenvolvidos nos anos 1960 e no Brasil em 1984

(Imagem: Pixabay/Michael Polo)

 

Ela se diferencia de outros tipos de avaliação aplicada ao ambiente construído tanto por interferir diretamente em seu processo de produção quanto por valorizar a opinião do usuário, em complementação ao ponto de vista dos especialistas.

  • Conforme Preiser e Schramm (2005), “avaliar o projeto e seu processo ou o edifício por meio da APO permite compreender os motivos subentendidos nas decisões dos vários participantes do processo, uma vez que essas decisões são, com frequência, baseadas em uma grande variedade de considerações”.
  • Para Kowaltowski et al. (2013), “consistem em emoções, intuições e julgamentos, que são tão relevantes quanto os aspectos racionais, tais como medições e verificação do atendimento a normas técnicas”.
  • Para Abiko e Ornstein (2002), “o termo qualidade se refere a aspectos que satisfazem as necessidades do usuário e está associado ao desempenho satisfatório de ambientes construídos em função das RACs”.
  • Para Van der Voordt e Van Wegen (2005) “aliar a qualidade ao processo do projeto, objetivando o bem-estar e o atendimento às necessidades dos usuários, pressupõe a participação desses usuários no programa de necessidades e nas questões projetuais e construtivas”.

Como forma de compreensão dos complexos problemas de pesquisa e de aplicações práticas na área das RACs por meio da multidisciplinaridade, no campo da Psicologia Ambiental, da Arquitetura e Urbanismo, da Engenharia Civil ou mesmo do Design, o aprimoramento, a expansão e a diversidade de estudos de caso estimulam uma grande variedade de aplicações de métodos e técnicas, sendo empregados múltiplos métodos, isto é, pesquisas com base em métodos quantitativos e qualitativos, permitindo contrabalancear possíveis desvios-tendências dos resultados.

  • Para Günther, Pinheiro e Guzzo (2004), “sob o ponto de vista da Psicologia Ambiental, que estuda as inter-relações do indivíduo com o ambiente, interessa aos arquitetos os efeitos das condições do ambiente (ou da ambiência, no caso de objetos e produtos) sobre os comportamentos individuais”.

Isso se dá em função de como o indivíduo percebe seu entorno e atua nele, já que a inadequação de ambientes, percursos e usos de objetos pode causar efeitos prejudiciais à saúde da pessoa.

A metodologia da APO associada à Psicologia Ambiental dispõe de métodos/técnicas que permitem obter respostas sobre comportamento, percepção/ cognição, sentimentos/emoções, atitudes, expectativas e preferências dos usuários e incorporá-las à avaliação do ambiente construído, de objetos e produtos e seus desdobramentos.

Os resultados das pesquisas da APO revelam que sua abordagem multimétodos pode aumentar sua abrangência, à medida que os pesquisadores percebem a importância de ampliar o alcance na área de RAC e de possibilitar a transferência desse conteúdo para os projetos arquitetônico, urbanístico e do produto, observados seus respectivos contextos e escalas.

Tudo a ver

Já está disponível em nossa loja o lançamento Avaliação Pós-Ocupação na Arquitetura, no Urbanismo e no Design, um guia conceitual, teórico, metodológico e prático para a aplicação da Avaliação Pós-Ocupação (APO), com base em mais de três décadas de estudos e pesquisas teóricas e empíricas.

Estudantes, professores e profissionais das áreas de Arquitetura, Urbanismo, Design e Engenharia tem a possibilidade de ter em mãos uma obra abrangente e atual, que disponibiliza  os conteúdos necessários para entender e aplicar a APO.