Geografia e meteorologia

Recursos hídricos e meio ambiente

Pesquisadores dos EUA desenvolvem um mapa de mortalidade por riscos naturais

desastresNa última década os EUA sofreram com uma severa sequência de desastres naturais e, com eles, a perda de muitas vidas humanas. Compreender e avaliar as áreas de risco e os impactos potenciais foi a motivação para que os pesquisadores Susan Cutter e Kevin Borden, da University of South Carolina, Columbia, criassem o primeiro mapa de riscos naturais dos EUA.

O mapa, republicado pelo BioMed Central, foi originalmente publicado no International Journal of Health Geographics, permite visualizar a probabilidade de morrer em consequência de fenômenos naturais, tais como enchentes, terremotos ou condições meteorológicas extremas . A pesquisa usou informações acumuladas desde 1970.

Os pesquisadores acreditam que o trabalho vai permitir a pesquisa e gestão de emergência para analisar os riscos a partir de informações. O mapa foi concebido como uma ferramenta para identificar áreas com risco de morte superior à média, justificando a alocação de recursos para essas áreas, com a meta de reduzir a perda de vidas.

De acordo com o mapa, a mortalidade é mais proeminente no Sul, onde mais pessoas foram mortas por diversas condições atmosféricas graves perigos e tornados. Outras áreas de risco elevado são a região norte do Great Plains, onde ondas de calor e seca foram os riscos naturais que mais matam.

Ondas de calor e seca foram classificados como os maiores, causando 19,6% do total das mortes, seguidas de perto pelas condições meteorológicas severas de verão (18,8%) e de inverno (18,1%). Eventos geofísicos (como sismos), incêndios florestais e furacões, foram responsáveis por menos de 5% do total de óbitos. Veja imagem abaixo:

Desastres-grafico
Gráfico mostra o total de mortos por desastres naturais desde 1970 até 2004 distribuídos em 11 categorias. Retirado da publicação Spatial patterns of natural hazards mortality in the United States 2008. Tradução Oficina de Textos.

 

Em geral acredita-se que os riscos naturais altamente destrutivos, tais como furacões e terremotos, são os maiores responsáveis por mortes decorrentes de riscos naturais, mas a pesquisa demonstrou que seu impacto na mortalidade é muito menos do que dos eventos meteorológicos.

A pesquisa é especialmente importante se consideramos que o aquecimento global e as mudanças climáticas, de acordo com os modelos do IPCC, serão fatores de agravamento dos fenômenos meteorológicos, com maiores e mais freqüentes ondas de calor e seca, além de tempestades e inundações.

Em certa medida é o que aconteceu no desastre de Santa Catarina, vitimada por um fenômeno natural, provavelmente agravado pelo aquecimento global. Se os modelos climáticos estiverem certos, precisaremos fazer um trabalho análogo no Brasil, para que possamos desenvolver as necessárias medidas de mitigação e resposta às emergências.

No entanto, depois de incontáveis estragos causados pelo El Nino, previsto com razoável antecedência, nossas autoridades continuam sendo seguidamente “surpreendidas”. Este despreparo institucional, no futuro, pode significar a perda desnecessária de milhares de vidas.

Abaixo está o link para o acesso integral ao artigo, no formato PDF e seu abstract.

Spatial patterns of natural hazards mortality in the United States
Kevin A Borden and Susan L Cutter

International Journal of Health Geographics
2008, 7:64doi:10.1186/1476-072X-7-64
Published: 17 December 2008

Fonte: Henrique Cortez, do Ecodebate

Tudo a ver

urbanizacao-e-desastres-naturais capa provisoriaNo próximo mês será lançado o livro Urbanização para desastres de Lucí Hidalgo. A autora apresenta uma discussão teórica muito bem articulada, focada na avaliação dos desastres naturais ocorridos nas nações sul-americanas nos últimos 50 anos, disponibilizando informações estatísticas derivadas de fontes confiáveis e dados sobre as tendências espaciais e temporais dos desastres naturais na América do Sul.

O assunto é bastante relevante, considerando que os desastres naturais também são frutos das desarticulações socioambien­tais da atualidade, no âmbito dos processos de urbanização e globalização.

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