Projetos de Infraestrutura e Engenharia: opinião

vitrine projeto engenharia newsEles têm mais de 35 anos de experiência prática em gestão de projetos – conhecimento que transformaram em livro recentemente. Álvaro Camargo e Julio Schwartz, os autores de Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia, conversaram com o Comunitexto sobre o contexto econômico do Brasil e as particularidades dos contratos e licitações. Acompanhe aqui!

Comunitexto: No contexto econômico atual, os cinco maiores contratantes – Governo Federal, Petrobras, Estado de S. Paulo, Vale e Município de S. Paulo – ainda representam as grandes oportunidades? E para empresas de médio porte, que ainda estão buscando se estabelecer no mercado, há oportunidades surgindo em outras regiões?

Álvaro Camargo: Todas essas organizações que você cita seguem sendo os maiores contratantes. Mas, devido à crise pela qual o Brasil passa, é evidente que o poder de contratação dessas entidades caiu muito.

Já para o futuro, existe uma tendência de surgimento de novos grandes contratantes. Um exemplo é a recente compra das usinas hidrelétricas de Salto em Goiás e Garibaldi em Santa Catarina feitas por empresas chinesas.

Como o Brasil está numa situação de crise, a venda de ativos privados ou do Estado torna-se uma saída. Com a entrada de novos players, existe a possibilidade de mudança no cenário dos grandes contratantes.

Júlio Schwartz: As grandes empresas passam por um momento difícil por causa da Operação Lava Jato. Isso cria uma janela de oportunidade para as empresas menores que desejam participar de projetos de maior porte. Mas existem pontos importantes a serem olhados.

Em primeiro lugar as grandes empresas de construção estão vendendo ativos para fazer frente às suas obrigações. Esses grupos empresariais sairão da crise mais desidratados. Mas continuarão fortes e não vão desistir facilmente daquilo que conquistaram.

Por outro lado, as empresas de menor porte precisam se capacitar rapidamente para enfrentar melhor os grandes projetos. Essa capacitação envolve obter competências em áreas muito distintas, como por exemplo, competência jurídica, competência no gerenciamento do conhecimento e competência no gerenciamento de stakeholders, entre outras.

CT: Quais as principais diferenças nas licitações de empresas públicas e privadas?

Júlio Schwartz: As licitações públicas são mais rígidas e burocráticas. Nem sempre é possível propor melhores soluções dada a rigidez dos editais. E sempre existe a possibilidade de maior disputa jurídica na fase de contratação.

Se uma empresa se sente prejudicada no processo de seleção ela pode entrar com um pedido na justiça para revisão do processo. Na iniciativa privada isso não ocorre.

Álvaro Camargo: Por outro lado, existe uma semelhança bastante importante nos dois tipos de licitações. Tanto no setor público como no setor privado, as compras de projetos de infraestrutura e engenharia, aqui no Brasil, são feitas com base no menor preço possível.

De um modo geral, os contratantes brasileiros, sejam privados ou públicos, não buscam a melhor relação custo versus benefício. De um modo geral os contratantes brasileiros buscam simplesmente preços menores e não necessariamente as melhores soluções.

CT: Quais os modelos de contratação mais comuns no Brasil? Que vantagens e desvantagens ele oferece?

Júlio Schwartz: Na área pública o modelo mais comum no Brasil é o da lei 8.666, que estabelece que quem ganha a licitação é quem apresenta o menor preço.

Mais recentemente, houve a introdução do RDC, que é o regime diferenciado de contratação, que permite a contratação integrada pelo Estado. Nessa modalidade a empresa pode fazer o projeto de engenharia, a construção e a montagem eletromecânica.

Essa lei, por ser recente, ainda não foi extensivamente usada. O tempo vai nos dizer se ela funciona adequadamente.

Álvaro Camargo: Na esfera privada existe uma tendência à contratação sob regime EPC ou Turn Key.

O regime EPC é quando o contratante entrega um projeto básico ao contratado e solicita a execução do projeto de engenharia, da construção e da montagem eletromecânica. Já o regime Turn Key é aquele no qual o contratado faz tudo, desde o projeto básico até a entrega final, com testes e comissionamento.

CT: Quais os erros mais comuns cometidos pelas empresas na elaboração e na gestão dos projetos de engenharia?

Júlio Schwartz: Projetos de infraestrutura e engenharia apresentam altos riscos e grandes investimentos de capital. Por isso é importante a avaliação prévia da viabilidade do projeto.

Atualmente é bastante difícil orçar um projeto com preços baixos e depois, após a assinatura do contrato, tentar virar o jogo. Os contratantes privados raramente aceitam pagar adicionais. E na esfera pública, a sociedade não mais aceita “acertos” para virar o jogo.

Sobre os autores:

Álvaro Camargo tem mais de 35 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos e estratégia empresarial, com atuações nos Estados Unidos, Japão, Angola, Argentina e Colômbia.

Já trabalhou para empresas como Camargo Corrêa e Odebrecht em projetos de energia, indústria e na área militar.  É docente de cursos de pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Júlio Schwartz é engenheiro civil, com MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV. Atuou em grandes projetos de infraestrutura e engenharia no Brasil e na África, para empresas como Petrobrás, Vale, Eletronorte, CERAN, Alcoa e Telesp.

Possui uma ampla e diversificada experiência de mais de 38 anos na condução de projetos nas áreas de energia e indústria. Atualmente é Diretor no grupo multinacional Andritz, empresa de origem austríaca que tem foco na fabricação e montagem de bens de capital.

O livro Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia é distribuido com exclusividade pela Oficina de Textos.

Tudo a ver

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O livro apresenta uma ordem sequencial de desenvolvimento dos projetos de infraestrutura e engenharia. Mas os capítulos podem ser lidos de forma independente, permitindo ao leitor focar nos tópicos que mais lhe interessam.