Novo livro ‘Resíduos de Construção Civil’, de André Nagalli, atualiza ESTADO DA ARTE no Brasil sobre o tema

Obra recém-lançada pela Oficina de Textos atualiza e consolida teoria e prática sobre a previsão de geração de resíduos da construção civil e seu gerenciamento 

A Resolução nº 307 do Conselho Nacional do Ambiente (Conama), que trouxe diretrizes para a gestão dos resíduos da construção civil, completou 20 anos de vigência em 2022. O pesquisador André Nagalli, especialista em gerenciamento de resíduos da construção civil e autor de livros sobre o tema, acompanhou as alterações na legislação desde então e observou a criação de novas normas desde a publicação de seu último trabalho sobre o tema, em 2014. Em razão dessas mudanças, o autor lançou este ano, junto à Oficina de Textos, a segunda edição do livro “Resíduos de Construção Civil”. A obra consolida, amplia e atualiza os conteúdos de seus últimos trabalhos, também lançados pela Oficina de Textos.

Com a publicação da segunda edição, Nagalli, que é professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), contribui também para preencher uma lacuna na bibliografia nacional sobre resíduos da construção civil – que ainda era muito pouco explorado 20 anos atrás. Ele conta que pouco se falava do aproveitamento de resíduos, mesmo com o surgimento da Resolução nº 307. 

“Havia apenas discussões e estudos pontuais sobre o aproveitamento dos materiais”, relembra o autor. “Até que começamos a dar aulas em especializações sobre esse tema, ensinando arquitetos e engenheiros sobre gestão de resíduos da construção civil”. 

Situação do Brasil na gestão de resíduos de construção civil

Nagalli explica que o aproveitamento de resíduos é cultura normalizada em países europeus. Isso significa que esses países já têm como primeira opção de destino dos resíduos de construção o encaminhamento para usinas de reciclagem. E esta é, justamente, a principal dificuldade do Brasil, explica o autor. “Temos ainda uma grande dificuldade de considerarmos as usinas de reciclagem como uma opção de encaminhamento”, diz.

“As usinas de reciclagem costumam ter uma viabilidade econômica e operacional difícil na medida em que o custo para a produção de agregados reciclados é bastante alto, o que faz com que os preços desses produtos fiquem iguais ou até um pouco mais caros do que os agregados naturais”, esclarece. “Comercialmente, isso acaba impedindo a aceleração desse mercado”. 

Além disso, o autor enfatiza que 60% dos resíduos de construção civil gerados no Brasil são provenientes de obras informais, realizadas pelo cidadão comum. “São aquelas obras pequenas que o cidadão executa em sua casa, sem que a prefeitura ou o CREA possam acompanhar. E esses resíduos acabam tendo um destino inadequado, parando num aterro de construção civil regular ou irregular, por exemplo. De uma forma geral, não são aproveitados como poderiam”. 

Encarar o problema com a devida seriedade seria o primeiro passo para mudar esse cenário, acredita Nagalli. “Quando a maior parte dos resíduos são gerados em obras informais, vê-se que é preciso estruturar primeiro toda uma cadeia de trabalho da construção civil e prepará-la para esse tipo de gestão de resíduos”, afirma.

Isso significa, segundo o autor, o fortalecimento do mercado de reciclagem com subsídios do governo – que poderia incentivar a comercialização de produtos ambientalmente mais adequados e fomentar editais de compra desse tipo de material para obras públicas. “Isso também poderia ser ampliado para uma obrigatoriedade de consumo de agregados reciclados em obras privadas”, propõe. 

Outro facilitador seria o investimento em educação ambiental voltada para o cidadão comum. Com a divulgação de informações de qualidade, a população se conscientizaria de que também precisa fazer sua parte na separação dos materiais. 

“Ou seja, na ocorrência de uma obra ou uma reforma que vai gerar resíduos, o cidadão também deve fazer a parte dele em separar resíduos de gesso, madeira, concreto”, explica Nagalli. “Quando separados esses materiais, fica mais fácil o encaminhamento que vai conduzir os resíduos para sistemas de aproveitamento energético, ou para a reciclagem propriamente dita, ou mesmo para o reaproveitamento desses materiais”. 

Confira o vídeo da entrevista:

Sobre o autor

Engenheiro Civil, advogado, mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental e doutor em Geologia, André Nagalli é também  professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) nos cursos de graduação em Engenharia Civil e Engenharia Ambiental e Sanitária e de pós-graduação em Engenharia Civil (PPGEC), em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA). É bolsista Produtividade em Pesquisa junto ao CNPq, consultor, pesquisador e autor dos livros Gerenciamento de Resíduos Sólidos na Construção e Aspectos Quantitativos da Geração de Resíduos da Construção Civil. Tem experiência nas áreas de Engenharia Civil e Ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: gerenciamento de resíduos da construção civil, controle ambiental de obras viárias, portuárias e aeroportuárias, gestão, licenciamento e educação ambiental, auditoria ambiental, direito ambiental, sustentabilidade e recursos hídricos.

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