Sementes e mudas: Entrevista com Pedro Brancalion

O Profº Pedro Brancalion (ESALQ-USP) fala sobre a coleta de sementes e a transformação delas em muda

Exemplos de características de frutos que auxiliam na identificação do ponto de maturação das sementes: (A) mudança de coloração; (B) mudança de consistência e odor; (C) início de abertura espontânea; e (D) início de desprendimento espontâneo da planta matriz. (Imagem retirada do livro Sementes e mudas: guia para a propagação de árvores brasileiras, Ed. Oficina de Textos)

 

Autor do livro Sementes e mudas: guia para propagação de árvores brasileiras fala à equipe do Comunitexto sobre o período ideal para a coleta de sementes, como utilizá-las da melhor maneira e também como os animais podem interferir na dispersão delas.

Confira abaixo!

Comunitexto: Qual o período adequado para a coleta das sementes?

PB: Cada espécie tem o seu período adequado, então toda semana nós teremos alguma espécie tendo o seu período ideal de coleta. Esse período é determinado exatamente pelas características biológicas da espécie.

CT: Você poderia citar alguns exemplos?

PB: Veja bem, existem espécies cujas sementes são dispersas pelo vento, então a gente vai encontrar sementes desses grupos dispersando mais nos meses de agosto, ou setembro, que é quando o ar está mais seco e a gente tem mais vento. Agora, existem espécies que são dispersas por animais e cada espécie vai produzir sementes em um mês especifico, o que pode estar relacionado com o comportamento dos bichos.

CT: Como acontece, exatamente, a dispersão das sementes pelos animais?

PB: Temos uma atividade maior de aves consumindo sementes na primavera e no início do verão, então esse é um período que nós temos uma abundante produção de sementes, mas isso não significa que em outros momentos do ano a gente não vai ter também espécies produzindo sementes. Nós temos uma diversidade muito grande de arvores, e isso permite que se acomode todo e qualquer tipo de comportamento ecológico, a gente tem muita variação para as nossas árvores.

CT: Quando o fruto cai no chão, nós podemos utilizar a semente dele para transformar isso em uma muda?

PB: Uma vez que a semente cai no chão, ela pode sim ser utilizada para a produção de uma muda, o problema é que as vezes essa semente não acabou de cair no chão, ela já está lá há algum tempo exposta a micro-organismos, a pragas, a umidade, e a semente já pode ter se deteriorado. No entanto, existem alguns casos, a maior parte deles inclusive, em que o que cai no chão é o fruto e não a semente, e essa é uma distinção importante de se fazer.

CT: O que nos leva novamente a dispersão das sementes pelos animais.

PB: Exatamente! Várias arvores são dispersas por mamíferos, como antas, veados, cotias, e são plantas que o mecanismo de dispersão delas consiste em de fato soltar o fruto da arvore, ele cai no chão, e então o bicho vai consumir o fruto e levar a semente junto. A diferença é que no livro nós focamos em técnicas voltadas para a produção comercial das espécies nativas, então é evidente que sempre é possível pegar uma sementinha ou outra perto de uma arvore, mas isso é totalmente inviável quando a gente pensa na produção de milhares de mudas dessa espécie.

Tudo a ver

Confira em nosso lojão o livro Sementes e mudas: guia para propagação de árvores brasileirasum guia essencial para a produção de sementes e mudas de mais de 200 espécies florestais nativas, apresentadas com riqueza de detalhes, que vão desde suas características morfológicas até informações técnicas para a produção.