Um pacto global para acabar com a poluição do ar

Cinco academias nacionais de ciência e medicina incentivaram líderes governamentais, empresários e cidadãos do mundo a tomar medidas concretas para prevenir os perigos para a saúde humana associados à poluição do ar


A poluição do ar tem impactos econômicos, ambientais e na saúde humana (Imagem: JuergenPM / Pixabay)

No dia 19 de junho, academias de ciência da Alemanha, Brasil, África do Sul e Estados Unidos propuseram um pacto global para promover políticas e adotar tecnologias que contribuam para controlar a poluição do ar, causando aproximadamente 7 milhões de mortes evitáveis a cada ano, principalmente mulheres, idosos, crianças e pobres.

O acordo propõe o reconhecimento do direito à limpeza do ar e uma articulação mais efetiva que garanta o desenvolvimento de estratégias de controle da poluição do ar que ajudem a catalisar investimentos para a promoção de políticas mais sustentáveis“.


Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, um dos responsáveis ​​pela iniciativa.

Uma recomendação do documento é que todos os países priorizem a redução da poluição do ar, colocando controles de emissões no setor e adotando combustíveis limpos. Sempre que possível, as histórias de sucesso de cidades e países devem ser compartilhadas e usadas como lições para aqueles que lutam para melhorar a qualidade do ar, concluem as academias.

Segundo os cientistas, a combustão de combustíveis fósseis e biomassa para geração de energia, aquecimento, cozimento, transporte e agricultura é a principal causa da poluição do ar.

Essa fonte de contaminação é particularmente prejudicial aos seres humanos, pois contém grandes quantidades de material particulado – especialmente aqueles com menos de 2,5 mícrons (PM2,5) – transportados pelo ar que, ao entrar no organismo humano, danifica os órgãos, detalha o documento

Essas partículas danificar os pulmões, coração, cérebro, pele e outros órgãos, aumentando o risco de doença e incapacidade“.


Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, um dos responsáveis ​​pela coleta e análise de dados no relatório.

Para elaborar o documento, os peritos designados pelas academias analisados ​​dados publicados nas últimas décadas sobre os impactos da poluição atmosférica na saúde humana e no ambiente. “É a primeira vez que academias de ciências de diversos países são parceiros em um projeto conjunto para produzir uma chamada como este”, o médico Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, outro pesquisador que participou de sua escrito.

Os detalhes do documento que a queima de combustíveis fósseis é a fonte de dois dos principais gases de efeito estufa: o metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), cuja acumulação na atmosfera é associado com o aquecimento global e muitos outros grandes mudanças climáticas, ameaçam a sustentabilidade do meio ambiente.

Se controlarmos essa queima, a mudança climática também seria reduzida e ajudaria a atingir o objetivo de limitar o aquecimento global médio a 1,5ºC“, explica Artaxo. Além disso, segundo o documento, 2,4 milhões de mortes seriam evitadas com essa ação.

Dadidovich explica que existem políticas e soluções alternativas para reduzir os produtos da combustão, como acabar com os subsídios fiscais para a produção e consumo de combustíveis fósseis, que, no Brasil, somaram cerca de US $ 21,2 bilhões em combustíveis fósseis. 2018, segundo dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos.

E Saldiva ressalta que “os valores obtidos com a eliminação de subsídios poderiam ser usados em políticas de estímulo a fontes alternativas de energia limpa”. Também em pesquisa, tecnologias de controle de poluição e complementos de infra-estrutura.

Para Dadidovich, outro fator importante é o impacto econômico. Estima-se que as despesas geradas pelas doenças causadas pela poluição do ar em 176 países em 2015 foram de US $ 3,8 bilhões. “Além disso, esse fardo também adiciona custos de assistência médica que podem até mesmo consumir orçamentos nacionais de saúde nos países em desenvolvimento“, diz ele.

O biólogo William Laurance, da Universidade James Cook, na Austrália, que não participou do relatório, acredita que uma iniciativa como essa “é oportuna e vital para o bem-estar humano”.

Laurance indica que as nações em desenvolvimento em geral, e as cidades asiáticas em particular, especialmente a Índia, o Paquistão e a China, têm a pior qualidade do ar do planeta. “Viver nesses lugares é como fumar um maço de cigarros por dia”, diz ele ao SciDev.Net. 

É ótimo ver o Brasil, a Alemanha e os Estados Unidos desenvolvendo essa iniciativa, mas também será bom ter fortes parceiros asiáticos“.


William Laurance, biólogo da Universidade James Cook, na Austrália

É o que as academias esperam fazer, segundo Saldiva. Para tanto, o documento será apresentado na cúpula do clima das Nações Unidas, em setembro deste ano, em Nova York. “Ao mesmo tempo, vamos tentar realizar reuniões regionais para definir os objetivos, metas e prazos para alcançá-los, juntamente com os tomadores de decisão”, ressalta.

Também esperamos que países como México e Argentina discutam alternativas e estratégias que correspondam à realidade energética da América Latina, baseadas no conhecimento científico e nos aspectos éticos e morais“, conclui.

Fonte: Un pacto mundial para detener contaminación del aire


Tudo a ver

Introdução ao controle de poluição ambiental é uma obra obrigatório para quem atua na área ambiental, principalmente aos que militam no setor produtivo e têm consciência de sua responsabilidade, buscando racionalizar a produção, diminuindo o desperdício de insumos, reduzindo a geração de resíduos e otimizando a reciclagem.